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PASTORES DA IGREJA PRIMITIVA

A entrega a Cristo de todos os primeiros cristãos da igreja primitiva reflete a qualidade de seus líderes. A maioria das igrejas evangélicas de hoje em dia estão governadas por um pastor em união com uma junta de anciãos e uma junta de diáconos. Normalmente, o pastor teve sua preparação profissional ou até recebeu seu título de seminário, mas não foi criado na igreja que o chama a ser pastor. Com freqüência não tem nenhum poder de governar na igreja exceto o poder da persuasão.

A junta de anciãos ou a de diáconos, pelo geral, forma-se de homens que trabalham uma jornada completa em empregos seculares. Administram os programas e os assuntos financeiros da igreja e muitas vezes fixam até a política da igreja. Mas de costume ninguém corre a eles para receber conselhos espirituais. Não são os pastores do rebanho espiritual. Sim, usamos os mesmos nomes para os líderes da igreja como os que usavam os primeiros cristãos. Falamos de anciãos e de diáconos. Mas em realidade o método de governar nossas igrejas difere muito do método das igrejas primitivas. Não tinham um pastor preparado profissionalmente, entre eles
todos os anciãos eram pastores que dedicavam seu tempo à obra da igreja. O ancião maior em idade ou talvez o mais capacitado presidia entre os demais. Geralmente lhe chamavam bispo ou supervisor da congregação. Nem o bispo nem os anciãos eram desconhecidos, trazidos à congregação de outra parte. Normalmente tinham passado muitos anos na congregação. Todos conheciam seus pontos fortes e também seus pontos magros.

Ademais, não se preparavam para servir como bispos ou anciãos por meio do estudar num instituto bíblico, seminário ou faculdade teológica. A congregação não procurava tanto por ciência senão por uma espiritualidade profunda. Perguntavam, principalmente: Tinham dado já por anos um bom exemplo a outros cristãos? Estavam dispostos até a dar sua vida por Cristo? Como Tertuliano disse aos romanos: “Nossos anciãos são homens provados. Obtêm sua posição não por um salário, senão por firmeza de caráter”.

Naquele tempo não haviam seminários. Um homem aprendia o necessário para servir como presbítero com os anciãos  mais antigos e de mais experiência. Aprendiam como estar com Deus e pastorear na igreja por observar e imitar exemplo daqueles. Recebiam a experiência prática guiados por eles, e não tinham que fazer tudo perfeitamente. Tinham que ser capazes de ensinar por meio do exemplo pessoal tanto como por meio de sua palavra. De outra maneira não seria chamado jamais para ser presbítero.

Lactâncio explicou a diferença entre os mestres cristãos e os pagãos assim:

“Falando daquele que ensina os fundamentos da vida e molda a vida de outros, faço a pergunta: ‘Não é necessário que ele mesmo viva de acordo com os fundamentos que ensina?’ Se não vive de acordo com o que ensina, seu ensino resulta nula. Seu aluno lhe contestará assim: ‘Não posso fazer o que você me ensina, porque é impossível.  Ensina-me a não cobiçar. Ensina-me a não olhar o luxo. Ensina-me a não temer o sofrimento e a morte. Mas tudo isto está muito contrário à natureza. Todos os homens sentem estes desejos. Se você está convicto de que é possível viver contrário aos desejos naturais, primeiro permita-me ver seu exemplo para que eu saiba que em verdade é possível.’. Como poderá [o mestre] tirar este pretexto dos obstinados, a não ser com seu exemplo? Só assim poderão seus alunos ver com seus próprios olhos que o que ensina é em verdade possível. É por isso mesmo que ninguém vive de acordo com os ensinos dos filósofos. Os homens preferem o exemplo a só palavras, porque fácil é falar — mas difícil atuar”.

Numa de suas cartas, Cipriano descreve a maneira em que as igrejas primitivas escolhiam a um novo ancião
(na Igreja primitiva, ancião, bispo e presbítero eram termos intercambiáveis): “Será escolhido na presença de todos, sob a observação de todos, e será provado digno e capaz pelo juízo e depoimento de todos. Para ter uma ordenação apropriada, todos os bispos das demais igrejas da mesma província devem reunir-se com a congregação. O bispo deve ser escolhido na presença da congregação já que todos conhecem a fundo sua vida e seus hábitos”.

Uma vez escolhido um ancião pelo geral ficava nessa congregação por toda sua vida, a não ser que a perseguição lhe obrigasse a transladar-se a outra parte. Não servia uns três ou quatro anos só para transladar-se a outra congregação maior onde lhe podiam pagar melhor. E como disse anteriormente, não só o bispo senão bem mais todos os anciãos dedicavam todo seu tempo a seu trabalho como pastor e mestre. Dedicavam-se totalmente ao rebanho. Esperava-se do que deixassem qualquer outro emprego, a não ser que a congregação fora muito pequena como para sustentá-los.

Cópias de várias cartas enviadas entre duas congregações quando surgiu a pergunta de que fazer quando um ancião foi nomeado como executor testamentário no testamento de um cristão defunto. Sob a lei romana, não tinha saída para o que foi nomeado como executor testamentário.Tinha que servir, quisesse ou não quisesse. E o trabalho podia exigir muito tempo. O ancião que escreveu a carta se escandalizou de que um cristão nomeasse a um ancião como executor testamentário, porque esses deveres lhe tirariam o tempo de sua obra como pastor. De fato, todos os anciãos se escandalizaram.

Imagine-se o cuidado espiritual que receberam os primeiros cristãos de seus pastores. Cada congregação de então tinha vários presbíteros cuja única preocupação era o bem-estar espiritual de sua congregação. Com tantos pastores trabalhando o tempo todo na congregação, cada membro sem dúvida recebeu o máximo de atendimento pessoal.

Mas para servir como presbítero na igreja primitiva, um homem tinha que estar disposto a deixar tudo por Cristo. Primeiro deixava suas posses materiais. Deixava seu emprego e o salário com que sustentava a sua família. E não o deixava para depois receber um bom salário da congregação. De jeito nenhum. Só os hereges pagavam um salário a seus pastores. Nas igrejas primitivas os anciãos recebiam o mesmo que recebiam as viúvas e os órfãos. Usualmente, recebiam as coisas necessárias para a vida, e muito pouco mais.

Mas sacrificavam esses anciãos mais do que só as coisas materiais do mundo. Tinham que estar dispostos de ser os primeiros em sofrer encarceramentos,  torturas, e até a morte. Muitos dos escritores que cito neste livro eram anciões ou bispos, e mais da metade deles sofreram o martírio: Ignácio, Policarpo, Justino, Hipólito, Cipriano, Metodio, e Orígenes. Com tal entrega de parte de seus líderes, não é difícil ver por que os cristãos ordinários dessa época se dedicaram a estar com Deus e a evitar a norma do mundo.

FONTE: Blog A Igreja Primitiva 

OVELHAS NÃO PASTOREADAS

por Maurice Roberts

Se não estamos enganados, há um crescente número de crentes infelizes. Sua infelicidade não resulta de uma natural indiferença ou de um descontentamento temperamental, e sim de sua insatisfação com aquilo que, em suas igrejas, lhes está sendo oferecido sob o nome de adoração e pregação. Sentimos profunda compaixão por esses crentes. Eles merecem atenção especial, e devemos orar com regularidade em seu favor.

Nas últimas décadas, têm existido tantos ventos de doutrina soprando sobre as igrejas, que com justiça podemos dizer: tais ventos de doutrinas atingiram proporções de um tufão. Mas o problema não se limita à doutrina. Estende-se a formas e estilos de adoração pública. Se têm fundamento os rumores que chegam aos nossos ouvidos, parece que metade das igrejas que outrora eram saudáveis e evangélicas entraram em uma segunda infância. Com freqüência, a única qualificação necessária para que os adoradores recebam aceitação de seus líderes é serem capazes de levantar as mãos e balançarem-nas, assim como as folhas de uma palmeira ao vento, e serem fluentes em falar palavras incompreensíveis. Possuir uma mente capaz de avaliar essas coisas é uma desvantagem positiva, visto que coloca a pessoa que a possui na indesejável posição de compreender quão ridícula e sem proveito é essa situação.

Igrejas em confusão

Devem existir diversos fatores que levaram igrejas evangélicas, no passado grandes e firmes, a decidirem- se por uma adoração infantil. Um desses fatores é a necessidade que muitos sentiram quanto ao cuidado pelos jovens. Entre 1960 e 1970 ficou evidente que a geração em crescimento estava se tornando desinteressada em ir às igrejas. Os jovens não eram mais atraídos aos cultos pelos velhos hábitos das gerações anteriores, mas foram envenenados em relação às coisas de Deus por meio da música popular daquela época e por meio da galopante influência da televisão e dos esportes.

Esse fenômeno levou muitos líderes de igrejas evangélicas a se preocuparem intensamente a respeito de sua imagem. aos olhos dos jovens. Pensava- se que não era mais possível aos pais crentes disciplinarem seus lares ou preservarem seus filhos incontaminados pelo mundo. A culpa, dizia- se, era da própria igreja, que permanecia .antiquada. e não proporcionava empolgação. ou .atrativos. Se os jovens deveriam ser preservados do mundo, novos e mais estimulantes estilos de adoração precisavam ser introduzidos na igreja. Desse modo, o argumento se propagou.

Sem dúvida, esse tipo de raciocínio resultou em uma boa medida de incredulidade. Os líderes, em muitos casos com bons motivos e pressentimentos íntimos, cederam aos jovens a maneira de conduzir a adoração na igreja. Pouco a pouco, a confusão se espalhou. Seriedade e ordem, antes sustentadas como virtudes elementares na adoração ao Todo-Poderoso, foram ridicularizadas como arquiinimigas da adoração espiritual. Liberdade e espontaneidade tornaram-se as novas regras da adoração. Afinal de contas, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade; e não deveria tal liberdade estar disponível a todos os crentes? Acabemos com os grilhões que prendiam as gerações anteriores! Finalmente, chegara a época da adoração. Homens, mulheres, crianças e jovens, todos deveriam ter liberdade de participarem ativa e audivelmente. Os resultados estão conosco até hoje. Os frutos de uma anarquia geral de adoração são estes: o barulho suplanta a reverência e a superficialidade substitui a maturidade espiritual, enquanto outras coisas menos importantes reduzem o tempo da pregação da Palavra. Como alguém tem dito, o adorador típico bem poderia deixar em casa a sua cabeça ao vir à igreja, porque essa parte de seu corpo é irrelevante enquanto participa desse tipo de culto.

Grande prejuízo aos verdadeiros crentes

Nosso propósito ao salientar esses males é procurar mostrar quão prejudicial eles são ao verdadeiro rebanho de Cristo. Aqueles que desejam alimentar sua alma e vêm à igreja com interesse podem ficar alarmados e ofendidos diante dessa adoração superficial. Os filhos da graça sabem que Deus é glorioso em santidade. Eles vão à casa do Senhor com reverência e temor. O Espírito Santo lhes ensina que precisam ter uma atitude sublime e reverente em relação a qualquer coisa e a tudo que se refere à adoração a Deus. Anelam sentir a presença de Deus em seus corações e desejam muito que a verdade de Deus se torne poderosa e clara em suas mentes. Ficam indignados em seus corações, quando vêem outros crentes adorando motivados por coisas irrelevantes, quer na adoração, quer na pregação. Sentem-se tristes, pois sabem que o Espírito do Senhor está sendo entristecido.

Infelizmente, isso é o que está acontecendo em igrejas evangélicas de todas as denominações. Crentes sérios, que seriam capazes de dar a sua vida por Cristo, se lhes fosse exigido, estão sendo levados a sentirem se mal acolhidos em suas próprias igrejas. Sua espiritualidade é considerada como desajeitada. Grande parte dos crentes maduros na igreja estão sentindo-se isolados por seus companheiros, por não poderem entoar canções festivas que os outros utilizam em nome da adoração. Assim, existe uma situação em que o culto é freqüentemente um teste de paciência, ao invés de ser um tempo de devoção para o povo de Deus. Os crentes maduros não querem criar problema, mas suas consciências agravadas não podem aprovar as novas músicas, cânticos e hinos, as gesticulações e a nova atmosfera nos lugares onde anteriormente eles e seus pais adoravam a Deus com santo temor.

A espiritualidade em jogo

Sem dúvida, essa não é uma simples questão de época ou de geração. Mais do que isso, é uma questão de espiritualidade, maturidade e conhecimento. Existem crentes velhos que se comportam como crianças. Mas, graças a Deus, também existem crentes novos que têm feito bom uso das Escrituras, de livros evangélicos e confissões de fé ao ponto de serem já crentes firmes e bem instruídos.

Pessoas espirituais vêm à igreja para encontrar-se com Deus; não desejam que entretenimento lhes seja oferecido. Aqueles que desejam entretenimento podem obtê-lo a qualquer hora, indo a teatro e lugares de diversão, onde lhes será abundantemente oferecido por pessoas do mundo. Na vida cristã, existe lugar para diversão e alegria saudável e pura. O povo de Deus precisa tempo de sorrir, assim como as outras pessoas. Enquanto eles evitam formas de entretenimento mundanos, não se recusam a ocasionalmente desfrutarem de alegria e despreocupação. Mas o povo de Deus não vai à igreja em busca de divertimento. Não procura entretenimento, tampouco sente- se tranqüilo ao encontrá-lo na igreja. Adoração e entretenimento nunca andam juntos; adoração e leviandade jamais caminham lado a lado.

O que está em jogo em tudo isso é aquela preciosa coisa que chamamos espiritualidade. O homem espiritual treme diante da Palavra de Deus e possui um elevado conceito sobre cada aspecto e elemento da adoração a Deus. Ele não apenas exige espiritualidade na pregação; também exige e espera vê-la na leitura da Bíblia, nas orações públicas e na mensagem e tonalidade dos cânticos espirituais. Ele anela contemplar espiritualidade na casa de Deus e tem todo o direito de encontrá-la ali.

Solidão espiritual

Não é difícil perceber porque muitos do povo de Cristo hoje são crentes solitários no meio da multidão reunida na igreja. Eles se alegram quando o templo está repleto de pessoas, mas ficam perturbados se percebem que nada existe na igreja, exceto uma multidão barulhenta. Estão propensos a questionar, com admiração, se, afinal de contas, cem adoradores ou mesmo vinte e cinco não é preferível a uma multidão irreverente. Isto não deve ser confundido com uma mentalidade de .pequeno rebanho.. Não aplaudimos a teoria de que as igrejas devem sempre ser pequenas. Pelo contrário, em nossa opinião elas devem ser grandes. Pensamos que igrejas com mil membros não são grandes demais. Desejamos que nosso país se encha desse tipo de igrejas.

No entanto, ter muitos membros apenas por amor a números em geral é uma traição a Cristo. A liderança abaixa os padrões de santidade para atrair grande número de pessoas. Em um ponto crítico desse processo de diluição, a adoração deixa completamente de ser reconhecida como adoração por aqueles que andam em intimidade com Deus. O número de membros talvez aumente, mas o crente espiritual e solitário, que testemunha esse declínio, receia que o Espírito Santo esteja sendo abafado e Se retraindo. Icabode é o verdadeiro nome de tal igreja. É quase impossível acharmos comunhão espiritual. Os poucos crentes realmente santos que restam isolam se e mantêm-se solitários.

Nenhuma solidão é tão difícil de ser suportada quanto a solidão experimentada em meio a multidões. Quantos crentes percebem essa situação em suas próprias igrejas! São os últimos a falarem sobre isso, porque são pessoas pacientes, dedicadas a oração e longânimes. Não é bom para seus pastores e líderes permitirem que situações como esta permaneçam em suas igrejas. Ao diluírem a adoração, atraíram à igreja multidões inconstantes, e entristeceram o coração dos justos.

Prejuízos resultantes da mudança

Existem prejuízos visíveis resultantes desse tipo de mudança sobre a qual já falamos. Um destes prejuízos é o tratamento cruel demonstrado ocasionalmente à ovelhas fiéis que se recusam a mudar. Devido ao fato que eles não podem, em boa consciência, seguir a debanda geral para .abrilhantar. a adoração a Deus, bons ministros do evangelho têm de abandonar suas igrejas. Não se leva em conta que eles passaram vinte ou trinta anos expondo com fidelidade e devoção a Palavra de Deus aos seus rebanhos. Seu crime é resistirem ao clamor universal por inovações. Portanto, esses homens bons têm de ceder lugar ao menu de aprimoramentos que pastores jovens e líderes fracos insistem em oferecer à igreja.

Outro fruto menos agourento desse novo estilo de vida da igreja é o surgimento, em nossa época, da rejeição da lei de Deus na vida prática. Alguém pode evitar referir-se a isso em detalhes; mas o fato evidente é que os novos membros de igreja têm se revelado menos felizes em resistir à tentação do que os crentes antigos costumavam ser. Sem dúvida houve excesso de severidade na adoração praticada por igrejas do passado. Mas os crentes sentiam-se seguros. Eles não brincavam com a tentação. Não apelavam à carne. As pessoas vinham à casa de Deus com roupas estritamente adequadas e decoro completo. Infelizmente, isso não pode ser dito sobre muitos dos cultos modernos. Uma grande multidão diversificada na casa de Deus abaixa todo o nível da adoração. Todo pastor sabe que existem prejuízos morais resultantes dessa falta de santidade prática. Não deveria ser assim.

É uma consolação para as ovelhas de Cristo não pastoreadas saberem que nos céus elas têm um Pastor que contempla seu estado. Precisam recordar sua verdadeira posição, retratada pelo Pastor em passagens bíblicas como Ezequiel 34. Estão solitárias por causa da incompetência e inaptidão de seus líderes. Os outros crentes não as amam nem desejam sua companhia, porque são muito espirituais para sua geração. Mas um dia Cristo exigirá de seus pastores negligentes uma explicação para essa negligência. Além disso, o próprio Senhor Jesus tomará para Si mesmo seu povo solitário e desprezado, outorgando-lhes sua graciosa presença, nesta e na vida por vir.

Os crentes solitários de nossos dias devem meditar nessas palavras maravilhosas: Estou contra os pastores e deles demandarei as minhas ovelhas. (Ez 34.10); .Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as buscarei (v. 11) livrá-las-ei de todos os lugares para onde foram espalhadas no dia de nuvens e de escuridão. (v. 12); .apascentá-las-ei de bons pastos, e nos altos montes de Israel será a sua pastagem. (v. 14). Eis que julgarei entre ovelhas e ovelhas, entre carneiros e bodes. (v. 17); .Eu, o Senhor, lhes serei por Deus, e o meu servo Davi [Cristo] será príncipe no meio delas; eu, o Senhor, o disse. (v. 24).

Com tais promessas, quem não desejaria estar sozinho com Cristo por breve tempo nesse mundo?

FERRAMENTAS INDISPENSÁVEIS AO PASTOR

por Kevin DeYoung (Livros e Sermões Bíblicos)

Que ferramentas todo pastor deve possuir? Que habilidades ele precisa ter? Ou, perguntando com franqueza: o que um pastor tem de fazer razoavelmente para ser um bom pastor?

Observe o que não estou perguntando. Não estou perguntando sobre a teologia do pastor. Ou sobre a sua santidade pessoal. Ambas são essenciais e mais importantes do que algum dom específico. Todo pastor precisa cuidar bem de sua vida e de sua doutrina (1 Tm 4.16). Mas, o que um pastor tem de fazer? Esse é o assunto deste artigo.

Admitamos que ele está indo bem nas áreas de caráter e de convicção. Mas, o que se exige dele quanto à competência?

Em seguida, apresentamos uma lista que não é exaustiva. E, com certeza, não reivindicamos ser excelentes em cada área. Todavia, com base em minha experiência, um pastor de igreja local – estou pensando, em particular, no papel de pastor principal ou de pastor único – tem de ser competente em cinco áreas.

1. Um pastor tem de ser capaz de ensinar. Uma das cinco diferenças existentes nas qualificações de presbíteros e diáconos e a única habilidade na lista é que o presbítero seja “apto para ensinar” (1 Tm 3.2). Se o pastor é o único ou o pastor principal, ele labutará especialmente na pregação e no ensino (1 Tm 5.17). As igrejas suportarão várias deficiências, porém muitas igrejas ficarão impacientes com um pastor que não sabe ensinar.

É verdade que ensinar e pregar são habilidades que se desenvolvem com o passar do tempo. Por isso, talvez seja difícil determinar se um jovem é “apto para ensinar”. Contudo, antes de alguém entrar no ministério, ele deve ser capaz de comunicar a Palavra de Deus com alguma medida de confiança e clareza.

Algumas coisas que devemos examinar:

Ele gosta de ensinar? Se não gosta, não melhorará no ensino.

Ele pode se comunicar com as crianças? Seria um grande treinamento e um admirável campo de prova se os pastores trabalhassem como professores de alunos das primeiras séries, antes de entrar no ministério de tempo integral. Bons mestres sabem como tornar compreensíveis verdades profundas. Em contraste, se você torna confusas coisas simples, talvez não tenha o dom de ensino, ainda não.

Ele gosta de ler? Alguns pastores lêem bastante. Outros lerão devagar ou sem muita freqüência. Mas, se um pastor não gosta de ler (supondo que ele tem acesso a bons livros), ele dificilmente crescerá em profundidade e amplitude de discernimento. Se um pastor não tem fome por aprender, talvez não ajudará outros a aprender.

2. Um pastor tem de ser capaz de relacionar-se com as pessoas. Há muitas maneiras de um pastor conectar-se com seu povo. Ele pode fazer visitas aos enfermos, ou mentorear pessoas individualmente, ou liderar grupos pequenos, ou trabalhar para que haja mais envolvimento da equipe de colaboradores. Sempre haverá pessoas ao redor do ministério; e um bom pastor se esforçara para estar disponível a pelo menos algumas dessas pessoas.

Os relacionamentos assumem muitas formas. Você pode ser um pastor extrovertido e gregário ou um introvertido meditativo. Alguns de nós somos bons em bate-papo. Outros odeiam isso e preferem um convívio mais próximo e quieto com outra pessoa. Não estou dizendo que o ministério pastoral é somente para os sociáveis. Mas, se um homem não pode lidar cordial, gentil e amavelmente com as pessoas, ele deve pensar duas vezes em ser um pastor.

Uma boa pergunta a ser considerada: este homem faz amigos com facilidade? Eu hesitaria em chamar um pastor que luta para fazer e manter amigos.

3. Um pastor tem de ser capaz de liderar. Isso pode nos enganar. Ao usar o vocábulo “liderar” não quero dizer que todo pastor tem de ser um empreendedor ousado. Mas ele deve ter pessoas que o seguem. Tem de ser disposto a tomar uma posição, ser impopular às vezes. Precisa de coragem e da habilidade de tomar decisões desagradáveis. Se um homem tem necessidade de ser apreciado por todos, em todo o tempo, ele não está pronto para ser um pastor. Um pastor não deve ter medo de influenciar. E, se ele não é um visionário ousado, deve ser aquele tipo de líder que encoraja outros que têm dons de liderança mais destacados.

4. Um pastor tem de ser relativamente organizado ou cercar-se de pessoas que podem fazer isso por ele. Eu queria usar a palavra “administração” para referir-me a esse assunto, mas decidi não usá-la por receio de ser mal compreendido. Não creio que os pastores precisam ser gurus administrativos. De fato, penso que nenhum pastor entrou num seminário com o sonho de que poderia ser capaz de manter a igreja cumprindo sua função tranquilamente. Administração não é a essência do ministério; pelo menos, não deveria ser.

No entanto, não podemos evitar isto: um pastor tem de possuir alguma habilidade básica de organização. Ele não pode esquecer sempre os seus compromissos ou chegar atrasado em cada reunião de presbíteros. O pastor precisa retornar as chamadas telefônicas e entender como se realiza uma reunião. Na verdade, todos esquecemos coisas. Todos nós falhamos de vez em quando. Ser um pastor não exige onisciência ou onipotência, mas temos de ser responsáveis. Certo ou errado, talvez a sua igreja não perceba imediatamente que você parou de estar com as pessoas e que você não tem capacidade de liderar, mas a congregação perceberá logo que não pode depender de você.

Competência administrativa básica é exigida para o ministério pastoral. Se você não tem essa competência como pastor, ache pessoas que têm e permita que elas cuidem de você.

5. Um pastor tem de orar. Se essa ferramenta ficar corroída, ninguém saberá; pelo menos, não a princípio. É impossível sobreviver como pastor sem as outras quatro habilidades. Contudo, infelizmente, é fácil sobreviver e, até, prosperar no ministério sem essa ferramenta. O pastor que prospera sem oração não é o pastor sob cujo ministério quero estar, nem o pastor que desejo ser. Podemos realizar muito em nós mesmos, mas o que realmente importa exige oração, porque exige a presença de Deus. Um homem que não ora não deve pregar.

Como você mesmo pode testemunhar, essas cinco competências não são iguais em importância. As competências 1, 2 e 5 são essenciais e devem ser o foco do ministério. As competências 3 e 4 podem ser evitadas por algum tempo, mas não podem ser ignoradas. Em minha experiência, todas as cinco habilidades são necessárias ao ministério pastoral. Alguns pastores serão excelentes em várias dessas competências. Alguns serão muito bons em uma área ou muito bons em outras. Nenhum pastor será um modelo de todas essas cinco áreas. Se eu tivesse de avaliar um aluno de seminário que está prestes a entrar no ministério, ou se fosse membro de uma igreja que está à procura de um pastor, desejaria ver competência básica em cada uma dessas áreas.

O DESAFIO DO MINISTÉRIO PASTORAL

INTRODUÇÃO

Procura conhecer o estado das tuas ovelhas; põe o teu coração sobre os teus rebanhos (Pv 27.23). Esse texto define pontualmente o que DEUS espera daqueles a quem Ele chamou para o ministério pastoral. 

SER PASTOR É NÃO TER DESCANSO NUNCA

É estar disponível a todo o momento. Paulo resume o cuidado pastoral com as seguintes palavras aos gálatas e também aos coríntios: Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós (Gl 4.19). Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo; Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas. Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu me não abrase? (2Cor 11.2,28,29).

Basta que leiamos Ezequiel, capítulo 34, o texto completo compreende os versículos de 1-23. Esse capítulo traça um quadro vivo do trabalho pastoral, do que se espera de um pastor. As fracas não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza (Ez 34.4).  Então, para saber o que o SENHOR espera dos seus ministros leia o texto de forma positiva: A que está fraca fortaleça, a que está doente cure, a quebrada ligue, a desgarrada torne a trazer, a perdida busque; e não domine sobre elas com rigor e dureza.  

Ser pastor é um desafio além das forças e capacidades humanas entretanto o SENHOR é quem nos capacita. Ele mesmo opera em nós o querer e o efetuar (Fp 2.13).
Ser pastor é estar pronto para servir a DEUS na sua igreja que Ele mesmo resgatou com o seu próprio sangue (At 20.28). 

COMO UM PASTOR EXERCE O SEU MINISTÉRIO

Questões espirituais encontram respostas de igual valor nas Sagradas Escrituras. Paulo, o apóstolo, nos oferece modelos na sua fala como também nas suas atitudes. 

OBSERVE CADA PALAVRA EM DESTAQUE 

Atos 20.17 E de Mileto mandou a Éfeso, a chamar os anciãos da igreja. 18 E, logo que chegaram junto dele, disse-lhes: Vós bem sabeis, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, como em todo esse tempo me portei no meio de vós, 19 Servindo ao Senhor com toda a humildade, e com muitas lágrimas e tentações, que pelas ciladas dos judeus me sobrevieram; 20 Como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar, e ensinar publicamente e pelas casas, 21 Testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo. 24 Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus. 26 Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos. 27 Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus. 28 Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.

O pastor aprovado por DEUS será aquele que insistentemente buscar do ESPÍRITO SANTO ajuda para cumprir com fidelidade o seu ministério. No final do seu ministério Paulo afirmou que havia combatido o bom combate e que igualmente havia concluído a sua carreira, isso é o seu ministério (2Tm 4.6-8).

Um pastor deve pregar a palavra sempre, esse é o seu ofício. Que pregues a palavra , instes a tempo e fora de tempo , redarguas, repreendas , exortes , com toda a longanimidade e doutrina (2Tm 4.2).

CUMPRE O TEU MINISTÉRIO

Cumpra o teu ministério. Essa foi a exortação final de Paulo ao pastor Timóteo (2Tm 4.5). Há uma antiga canção evangélica que diz: Posso tendo as mãos vazias ao SENHOR me apresentar...(Hino 16 da HC) 

O DESAFIO DE SER PASTOR

Que grande privilégio, o ser pastor! E como pastor, que grande privilégio, o alimentar as ovelhas do Senhor com o alimento espiritual da Palavra de Deus. A responsabilidade é na proporção do privilégio. Que desafio, que grande responsabilidade a do pastor!

1. O desafio de conhecer as ovelhas;

2. De responder às suas questões;

3. De falar sobre seus problemas; 

4. Suas necessidades. 

O desafio de dar o alimento que as ovelhas precisam. A incapacidade do pregador em oferecer os alimentos que as ovelhas precisam irá enfraquecê-las, espantá-las do aprisco, desanimá-las, torná-las improdutivas.

Finalmente em todas as coisas o pastor é chamado a ser modelo, para a igreja e exemplo para o mundo Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra incorrupção, gravidade, sinceridade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós. (Tt 2.7,8).

AMÉM.
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Pr. Robespierre Machado - mensagem pregada na ordenação da irmã Miriam Rios ao ministério pastoral em 17 de dezembro de 2011.

ENTRE REPETIR E SURPREENDER

por Ricardo Agreste

Há pouco tempo, eu estava numa conferência fora do país quando um dos preletores fez uma afirmação que me despertou do sono. Ele disse: “Vivemos um momento histórico em que pastores e líderes, com o propósito de serem ouvidos, lidos e, principalmente, comentados, estão se tornando reféns da necessidade de surpreender, escrevendo e posicionando-se de maneira pouco convencional.”

Existe hoje no contexto norte-americano uma verdadeira disputa entre celebridades do meio evangélico por atenção e influência sobre as pessoas. Essa disputa se evidencia nas afirmações bombásticas que circulam em vídeos no youtube, nas ideias pouco convencionais veiculadas nos blogs da vida ou, ainda, pelas respostas agressivas e contundentes àqueles que são os agentes das duas primeiras ações.

Como se pode perceber, o fenômeno está diretamente ligado à grande revolução midiática ocorrida nos últimos anos em nossa sociedade. Há 30 ou 40 anos, para um pastor ou líder ser ouvido e comentado, era necessário investir pesado na produção e veiculação de programas de rádio ou TV. No entanto, a internet democratizou a possibilidade de ser ouvido, comentado e acompanhado até em cada passo ou palavra.

Assim, para muitos pastores e líderes da atualidade, a internet se tornou um espaço onde suas palavras ganham uma amplitude nunca antes sonhada. Ali, seus textos são lidos e replicados de forma ilimitada, e suas ideias, seguidas e comentadas quase que instantaneamente por pessoas em todas as partes do mundo. Assim, o horizonte de sua influência passou a transcender em muito o pequeno grupo que, assentado nos bancos da igreja, escuta atentamente seu sermão de domingo.

De certa forma, este cenário representa uma grande oportunidade para evangelização de inúmeras pessoas, para a edificação de discípulos de Jesus espalhados por todo o mundo e para o fortalecimento da igreja numa caminhada saudável e dinâmica. É um grande privilégio para os cristãos de nosso tempo ter à sua disposição um sem-número de sermões, estudos, artigos, discussões e opiniões sobre os mais variados temas, dos mais diferentes autores.

Por outro lado, o mesmo cenário gera uma cultura de ansiedade por ser lido, ouvido, comentado e seguido. Neste anseio, aqueles que fazem uso das novas mídias podem ser constantemente tentados a gerar fatos, escrever o surpreendente ou afirmar o não convencional. Assim, surgem afirmações de que o inferno não existe, de que Deus não é soberano ou que a volta de Jesus é não um evento histórico – e, para não perder a oportunidade de ser lido e comentado, rapidamente surgem as críticas àqueles que fazem tais afirmações, sem qualquer cuidado com o contexto ou o respeito devido a quem pensa de modo diferente.

Em meio a tudo isso, existe o perigo de que pastores e líderes, responsáveis por prover o conteúdo para o ensino e capacitação de discípulos de Cristo, se esqueçam que boa parte de sua tarefa como mestres consiste em repetir. Pastores e mestres do passado gastaram boa parte de suas vidas e ministérios simplesmente repetindo coisas, sem se sentir na responsabilidade de falar algo novo, surpreendente ou espetacular. Eles simplesmente repetiam o que já fora dito na lei e nos profetas, bem como procuravam manter vivos os fundamentos lançados pelos apóstolos.

Mas também existe o perigo de que cristãos usuários das novas mídias não percebam que a própria cultura que envolve tais ferramentas não incentiva a repetição, pois demanda o novo. Assim, os crentes podem se tornar dependentes dessa cultura, esquecendo-se de que parte de nossa consistência e saúde na caminhada cristã envolve a prática de acolher as verdades que já eram verdades para nossos avós e de ouvir novamente o que já foi dito, tantas outras vezes ao longo dos séculos, a outras gerações.

Como pastores e líderes, precisamos estar atentos e nos avaliar sempre acerca do uso que temos feito das novas mídias e da motivação que nos move. Precisamos reconhecer que a linha entre o desejo de simplesmente servir à Igreja de Jesus e a vontade de ser lido, ouvido e comentado é tênue no contexto atual. Todavia, como usuários das novas mídias, precisamos também nos perguntar se aqueles a quem ouvimos, lemos e seguimos estão se tornando reféns do novo ou do espetacular. Estão eles deixando de lado a missão de simplesmente repetir o que já foi dito na lei, nos profetas, pelos apóstolos e pais da igreja? E, se eles passarem a repetir, estaremos dispostos a ler blogs e seguir twitters que só repetem o que já foi dito, sem qualquer surpresa?


UM PASTOR TEM DE SER CAPAZ DE ENSINAR

por Kevin DeYong

Uma das cinco diferenças existentes nas qualificações de presbíteros e diáconos e a única habilidade na lista é que o presbítero seja “apto para ensinar” (1 Tm 3.2). Se o pastor é o único ou o pastor principal, ele labutará especialmente na pregação e no ensino (1 Tm 5.17). As igrejas suportarão várias deficiências, porém muitas igrejas ficarão impacientes com um pastor que não sabe ensinar.

É verdade que ensinar e pregar são habilidades que se desenvolvem com o passar do tempo. Por isso, talvez seja difícil determinar se um jovem é “apto para ensinar”. Contudo, antes de alguém entrar no ministério, ele deve ser capaz de comunicar a Palavra de Deus com alguma medida de confiança e clareza.

Algumas coisas que devemos examinar:

Ele gosta de ensinar? Se não gosta, não melhorará no ensino.
   
Ele pode se comunicar com as crianças? Seria um grande treinamento e um admirável campo de prova se os pastores trabalhassem como professores de alunos das primeiras séries, antes de entrar no ministério de tempo integral. Bons mestres sabem como tornar compreensíveis verdades profundas. Em contraste, se você torna confusas coisas simples, talvez não tenha o dom de ensino, ainda não.

Ele gosta de ler? Alguns pastores lêem bastante. Outros lerão devagar ou sem muita freqüência. Mas, se um pastor não gosta de ler (supondo que ele tem acesso a bons livros), ele dificilmente crescerá em profundidade e amplitude de discernimento.

Se um pastor não tem fome por aprender, talvez não ajudará outros a aprender.