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O QUE TORNA POSSÍVEL A REFORMA DE UMA IGREJA?

O Que Torna Possível a Reforma de Uma Igreja?
por John Folmar

Plantar igrejas parece ser a obra mais importante em nossos dias. Mas eu diria que revitalizar igrejas existentes é, igualmente, importante para a causa do reino. De fato, revitalizar igrejas não saudáveis nos permite obter duas coisas como resultado de uma única obra. Não somente estabelecemos uma igreja reformada e vibrante para o evangelho, mas também eliminamos o testemunho medíocre que havia antes.

Igrejas doentes são, como Mark Dever o afirmou, "forças antimissionárias terrivelmente eficazes". Elas anunciam à comunidade: isto é o cristianismo! O cristão é assim! Esses falsos anúncios difamam o evangelho e, na realidade, impedem a evangelização nas áreas adjacentes. Mas, quando uma igreja é transformada, o evangelho prospera enquanto a comunidade é confrontada com um genuíno testemunho coletivo a favor de Cristo.

Já testemunhei duas reviravoltas em igrejas: uma em Louisville (Kentucky) e a outra em Dubai (Emirados Árabes). Em ambos os casos, as igrejas foram completamente transformadas, desde a pregação até a adoração coletiva, a cultura da igreja e ao impacto evangelístico na vizinhança. Em ambas as reviravoltas, ainda que eu não possa reivindicar crédito por nenhuma delas, desfrutei do privilégio de ver pessoalmente a mudança radical de uma igreja.

O que tornou estas reforma de igreja possíveis?

Pregação

A forca impulsionadora que está por trás de qualquer reforma verdadeira será a Palavra de Deus. À medida que a Palavra manifesta seu poder em uma congregação, ela amolece o solo endurecido e produz mudança espiritual. Em Dubai, havia membros fiéis que trabalharam por anos, mas obtiveram poucos resultados. Não eram nutridos consistentemente por sermões semanais. Tentativas ousadas foram feitas para fortalecer a congregação, mas faltava algo. No entanto, quando a pregação se tornou consistentemente expositiva e centrada no evangelho, foi como se alguém jogasse um fósforo acesso em gasolina. O ministério se multiplicou. Quando a igreja começou a mudar, um membro antigo comparou a pregação com um fogo de artilharia semanal. O bater constante da Palavra amoleceu a oposição e abriu caminhos para que um ministério mais frutífero acontecesse em todo o corpo de membros.

O púlpito tem de liderar um esforço de reforma de uma igreja. E isso implica em pregação expositiva com ênfase no evangelho e aplicação criteriosa à vida da igreja, especialmente àquelas áreas que precisam de mudança. Se o púlpito não estiver firmemente por trás deste esforço, os reformadores talvez estejam desperdiçando seu tempo. É melhor mudar para um lugar onde a Palavra já está sendo pregada corretamente e perceber como aquele ministério pode ser apoiado.

Providência

Igrejas moribundas serão vivificadas somente se Deus estiver em ação ali. Anos atrás, em Louisville, uni-me a uma igreja velha cujo ministério definhava por várias razões. Pessoas velhas predominavam na igreja, muitas delas ministrando com fidelidade, mas sem liderança pastoral. Os mais novos tinham desertado da igreja havia muito tempo; e eu podia entender o motivo. Além da lealdade familiar, poucas coisas os mantinham ali. A pregação consistia principalmente de histórias rústicas sem qualquer exposição bíblica séria. A igreja era mais norteada pela cultura do que pela teologia. E a cultura contemporânea se mudara para lá.

Na providencia de Deus, havia outra igreja nas proximidades (uma igreja que se reunia numa escola). Nesta o evangelho era proclamado com clareza. Esta igreja mais nova tinha vida, energia e sã doutrina, mas não tinha raízes na comunidade, nem prédios. A solução óbvia era unir as duas congregações. Inicialmente, a ideia de unir as duas igrejas foi rejeitada pela igreja mais velha e necessitada. Eles eram muito diferentes na teologia, na música, na cultura e em outros aspectos. Mas Deus começou a remover soberanamente os oponentes da união e mudou aos poucos o coração das pessoas, para que a nova igreja surgisse. Como noite e dia – de oposição rígida para aprovação quase unânime da congregação –, em sua providência Deus cuidou para que uma nova obra começasse ali, em Louisville, uma igreja que continua vibrante e unida até hoje.

Há muitas forças dispostas contra a reviravolta de uma igreja local, que nunca acontecerá se Deus não a fizer acontecer.  O cuidado providencial de Deus é essencial à reforma da igreja; é por isso que a oração é crucial.

Companheirismo

Procure não fazer isto sozinho. A reforma da igreja pode ser desgastante, ingrata e desencorajadora. O tempo para isso não é medido em meses, e sim em anos. E uma reforma espiritual profunda não é rápida. Deus usa os meios comuns de graça para dar crescimento e mudar seu povo. Igrejas melindrosas podem se tornar impacientes; e, em tempos difíceis, é bom ter amigos.

Quando comecei a pastorear em Dubai, havia um presbítero que pensava como eu e me encorajou bastante quando os tempos se tornaram árduos. Ele era perito em identificar evidências de graça, mesmo quando eu prosseguia com dificuldade em meio aos meus erros pastorais e às interrupções inevitáveis que acompanham a reforma da igreja. Quando elementos cruciais da reforma estavam em perigo, ele estava lá para dar ajuda na hora certa. Se possível, compartilhe com outros antes de atirar-se impetuosamente numa situação de reforma. Não vá sozinho.

Valorize o identificar homens que respondem ao ministério e integre sua vida à deles. Considere isto uma prioridade fundamental: treinar homens da congregação que um dia serão presbíteros e companheiros no ministério.

Paciência

Quantos pastores já foram demitidos porque introduziram mudanças antes que a igreja estivesse pronta? Quantos esforços de reforma já estiveram em perigo por conta da impaciência dos líderes que, talvez, sabiam a coisa certa a fazer, mas falharam em gastar tempo ensinando, orando e servindo as pessoas, para que ganhassem sua confiança e as convencessem dos pontos que necessitavam de reforma? Lembre a exortação de Paulo a Timóteo: "Corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina" (2 Tm 4.2). Somente porque você sabe quais são os problemas, isso não significa que eles devem ser resolvidos imediatamente.

Quando comecei a pastorear em Dubai, alguém me lembrou proveitosamente que a igreja não era "minha". Em outras palavras, as pessoas que estavam ali e seu estado de maturidade espiritual eram o fruto do ministério de outro pastor, e não de meu próprio ministério. Eu não podia chegar e esperar que a igreja adotasse imediatamente as minhas opiniões sobre a vida da igreja e o ministério. Isto me deixou livre para servir com alegria as pessoas que nem sempre compartilhavam de minhas convicções sobre a Bíblia ou sobre o ministério. Mas, depois de poucos anos, o quadro começou a mudar.

Adote uma perspectiva de longo prazo no que diz respeito à reforma da igreja. Ajuda-nos ter um horizonte de tempo de dez a vinte anos. Com uma perspectiva de longo prazo, podemos priorizar mais pacientemente as áreas da vida da igreja que necessitam de mudança. Podemos agir mais alegremente em um ambiente de ministério imperfeito quando pedimos às pessoas que tolerem as nossas fraquezas pessoais.

No entanto, existem duas coisas que um pastor pode mudar de imediato, ao chegar em uma nova igreja: a pregação e a recepção de membros na igreja. Num dia, você pode exaltar a autoridade das Escrituras pela maneira como você prega, extraindo os pontos explicitamente do próprio texto bíblico e mostrando que você se rege por ele. Segundo, você pode começar imediatamente a fazer entrevistas com os novos membros, quando eles chegam. Desta maneira, você pode:

Assegurar-se, no melhor de sua habilidade, de que eles são crentes genuínos;
Assegurar-se de que eles podem articular o evangelho;Definir suas expectativas quanto ao membros da igreja; Começar a estabelecer um relacionamento pastoral com os novos membros que estão chegando, um relacionamento que no decorrer do tempo afetará a complexão da igreja como um todo.

Poucas coisas são melhores do que ver pessoalmente uma reforma na igreja

Em conclusão, há poucas coisas que são melhores do que ver uma mudança na igreja, de igreja fraca e irrelevante para igreja vibrante e bíblica. A única maneira como isso pode ocorrer é pela pregação correta da Palavra de Deus. Contudo, alguns esforços de reforma fracassam apesar da fidelidade no púlpito; o Senhor tem de estar em ação para mudar o rumo das coisas. É provável que você seja bem sucedido a longo prazo se tiver alguns irmãos que labutam com você na obra. No entanto, mesmo com todas essas coisas, você tem de adotar a abordagem de longo prazo para a reforma da igreja. "Sede, pois, irmãos, pacientes, até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas. Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima" (Tg 5.7-8).

Traduzido por: Wellington Ferreira.
Editor: Tiago J. Santos Filho.


MEMBRO DESABAFA: PRECISAMOS DE UMA REFORMA

A postagem abaixo corresponde ao inteiro teor de um email recebido há poucos dias pelo pastor Geremias do Couto de um de seus diletos amigos, que se considera apenas "membro de banco". Com a devida autorização, e sob o pseudônimo "SoliDeoGloria", a pedido do remetente, para evitar possíveis constrangimentos, este blog achou por bem publicá-lo sem qualquer alteração por refletir o sentimento de milhares de outros irmãos assembleianos, que nem sempre têm voz para se manifestar. Leia e veja ao final as nossas considerações em azul.

Grande tem sido a minha angústia ao ver os rumos que nossa amada denominação vem tomando nas últimas décadas. Olho para a AD e vejo uma igreja desfigurada, cheia de enxertos, sem padrão litúrgico, seriamente contaminada pelas novas "teologias" e modismos. Claro que também conheço muitas virtudes dela e sei que o prezado Pastor também conhece (muito mais do que eu). Mas peço vossa compreensão pois preciso me ater nos problemas que têm me incomodado.

Tenho acompanhado a vossa verdadeira "cruzada" em prol de uma nova configuração estrutural na CGADB. Sei de vossa boa vontade e notável boa-fé.

Gostaria de dizer preliminarmente que me situo no mesmo espectro político/eclesiástico que o senhor e que compactuo contigo sobre vários pensamentos e posições no tocante à nossa presente situação eclesiástica.

Tudo o que vou dizer aqui pastor deve ser considerado sob a lente de um "CRENTE DE BANCO", ok?

O que me chama atenção pastor é que a CGADB tem ocupado um espaço e uma prioridade na vida dos pastores assembleianos que simplesmente me assusta! Eu não sei se os nossos líderes se dão conta disso mas eu gostaria de que uma pergunta pudesse ser feita a TODOS aqueles milhares de pastores e demais ministros reunidos nas convenções nacionais. Quem sabe alguém pudesse fazer essa pergunta no microfone central e que todos ouvissem atentamente...

Essa pergunta (nesse meu "sonho") seria esta: Amado Pastor/Ministro, qual a porcentagem do seu tempo livre que você consome tratando de problemas, compromissos, reuniões, bate papo, atas, telefonemas, viagens, articulações etc. ligados ao assunto "CONVENÇÕES" ??? E, comparativamente, qual o tempo dispensado por você para pregar o evangelho (não simplesmente exercer apologética), apascentar as ovelhas de Cristo a ti confiadas, ouvir seus problemas, orar com eles, auxiliar as viúvas e órfãos, acompanhar de perto os obreiros que estão sob sua responsabilidade, visitar os desviados, ungir os enfermos, interagir com os jovens acompanhando-os de perto, zelar pela doutrina da igreja, etc.?

Tenho pastores em minha família e sei que um "Pastorado" demanda tempo integral. E eu me assusto com tantos pastores que têm uma "agenda convencional" tão intensa que deixariam um governador de estado abismado! E tudo isso pra quê???

Sei que alguns pastores têm uma justificativa para tal espécie de militância. Sei que há responsabilidades maiores que fogem à normalidade de um "Pastoreado" simples.

O que quero dizer meu prezado Pr. Geremias, é que o foco principal da AD e o fundamento basilar sobre o qual ela foi fundada está em desuso! Nós nos afastamos demais do "básico". Sou ainda do tempo em que transferências de pastores, consagrações e implantações de novas igrejas eram decisões espirituais! Lembro-me ainda de ver pastores pregando mensagens simples mas que - a exemplo do que disse aquele pai da igreja - suas maiores pregações eram silenciosas por meio de seus exemplos de vida e de fé...

Mas o que vemos hoje - seja de qual "chapa" forem - são grupos de pastores TOTALMENTE focados em um assunto PARAECLESIÁSTICO... Convenções, Mesas Diretoras disso e daquilo, Comissões e mais Comissões Regionais, Estaduais, Continentais, Mundiais... Não sou alienado a ponto de não enxergar a importância de uma convenção nacional que nos represente. Mas sinceramente não estou vendo sentido na existência dela nos padrões em que se encontra.

Uma entidade como a CGADB tem autonomia para expurgar doutrinas alheias e heréticas?

Uma entidade como esta tem poder de impedir o uso indiscriminado do nome de nossa igreja "Assembléia de Deus" por esses mercadores que vêm aparecendo (e tolerados!) em nosso meio?

Uma entidade como esta tem autonomia para padronizar um procedimento litúrgico mínimo em nossas igrejas e remover práticas esotéricas que já vêm surgindo nos portais Assembleianos?

Uma entidade como essa tem efetiva ingerência na condução dos assuntos cruciais de nossa denominação tais como regularização de documentações imobiliárias, contábeis, financeiras das igrejas ?

Uma entidade como essa tem como unificar nacionalmente o posicionamento Assembleiano relativo a questões como ecumenismo, teísmo aberto, onisciência de Deus x Desestímulo a orar e outros tantos temas e heresias que estão batendo em nossa porta ?

Acho que a resposta para essas perguntas é "não", estou correto?

Se isto não fosse o suficiente, temos ainda o problema de "conduta política" de ambos os quadros atuais a ponto de tal problema movê-lo a liderar a criação da chamada "Terceira Via"... Confesso que sou simpatizante dessa idéia e entendo que o senhor tem exercido um belo papel conciliatório (até onde permitirem...rsrs) e está prestando um lindo serviço.

Mas minha pergunta permanece... Para que estamos correndo com tudo isso? Será que o verdadeiro pano de fundo não seria uma REFORMA ( o que, em última instância, também resvalaria na questão CGADB) ???

Pastor, quero deixar bem claro que não tenho idéias revolucionárias nem extremistas. Acho inclusive que uma nova reforma deveria começar com um movimento nacional de ORAÇÃO pelo assunto. Mas acho também que discussões como esta sejam necessárias. Os membros precisam ser ouvidos! A liderança precisa perceber que estamos perdendo muitos irmãos que estão se entristecendo e parando na fé ou ainda trocando de igreja devido a esses fatos...

A diferença de liturgia no seio da AD está escabrosa! Temos igrejas AD pelo Brasil onde coisas horripilantes tem acontecido... Nem a Harpa Cristã é mais adotada... Nossas orquestras estão acabando!

Nossos corais também. Nossos jovens estão sem nenhuma compostura que os venham a distinguir do mundo. E sem falar que já se perdeu o temor de se dividir ardilosamente campos e igrejas...

Desculpe-me pastor pelo desabafo. Mas eu precisava me abrir com alguém que eu tivesse como capaz e confiável. Espero não tê-lo aborrecido.

E me perdoe pela grafia incorreta. Nem tive tempo de refazê-la...

Um forte abraço e fique com Deus.

"SoliDeoGloria"



Caro irmão

O seu desabafo reflete não só o sentimento de milhares de assembleianos, mas também de centenas de pastores que fazem parte da CGADB. O que temos ouvido, aqui e ali, com pequenas variações, é a mesma pergunta: 'Para que associar-me a uma instituição que não nos ajuda em nada?" Por outro lado, você expõe algo que, com raras exceções, tornou-se comum entre os nossos líderes, independente das lides convencionais. É que ficam tão envolvidos com as questões administrativas a ponto de se esquecerem que a igreja é composta de pessoas frágeis, necessitadas, doentes, ambíguas, sofridas, às quais foram chamados para pastorear e assisti-las.

Você também tocou num ponto nevrálgico: "Será que o verdadeiro pano de fundo não seria uma REFORMA?". Esta é a palavra-chave. Mas como você mesmo reconhece, ela acaba por "resvalar" também na CGADB. Não cremos que as vias já postas dispõem de condições, hoje, para promovê-la tal é o comprometimento que ambas têm com os vícios de eleições amplamente secularizadas. Ressalte-se aqui - para valer, e não como discurso - o velho refrão de um hino que o pastor Anselmo Silvestre sempre canta: "Tem de começar pelo altar". É preciso que os verdadeiros ministros chorem diante de Deus, com panos de sacos e cinzas, para que possamos ver as necessárias mudanças em nossa instituição, que redundem no resgate de tudo quanto você mencionou em seu justo desabafo.

A Terceira Via busca ser a síntese de todos esses sentimentos expressados em seu email. E mais: por entender a oração como elemento primordial para qualquer empreendimento no âmbito cristão, lançará em dezembro, no blog, um formulário para que tantos quantos queiram se inscrevam e façam parte do Movimento de Oração em favor das Assembleias de Deus no Brasil, inclusive a CGADB. Por último, a próxima postagem responderá ponto por ponto as questões levantadas por você.


FONTE: TERCEIRA VIA