MARIA SLESSOR



A MISSIONÁRIA QUE ARRANCOU TRIBOS AFRICANAS DAS MÃOS DE SATANÁS
By Jefferson Magno Costa
    
É madrugada. A alguns quilômetros da orla marítima, uma mulher e seis crianças negras caminham para a margem de um rio. Chove. Homens e mulheres africanos perguntam: - Por que nos abandonas, mãe?
     
Maria Slessor pára junto à canoa, volta-se, contempla aqueles semblantes escuros e fala docemente: - Não fiquem tristes. Sei que vou para o meio de povos ferozes e adoradores do Maligno, mas eles também precisam ouvir falar de Jesus. Alegrem-se. 

Eu voltarei. Mas se não voltar, nós nos encontraremos nas margens do Grande Rio, diante do Grande Pai. E ali seremos todos de uma só cor, alvos como o marfim. Em companhia das seis crianças, Maria entra na canoa, e parte, sob o olhar silencioso da tribo de Creek Town.

Maria Slessor nasceu na Escócia, em 1848. Era loura, de cabelos lisos e olhos azuis. Aos onze anos de idade foi obrigada a trabalhar na tecelagem para ajudar financeiramente sua mãe, pois seu pai, alcoólatra inveterado, após a morte de Roberto, o filho mais velho, abandonou a senhora Slessor e os quatro filhos restantes. 

Aos 14 anos Maria já era considerada uma hábil tecelã. Não sabia ela que futuramente Cristo a incumbiria de tecer as vestes brancas da salvação no coração dos negros africanos.

Sua mãe era evangélica, membro da igreja de Aberdenn, e costumava contar aos filhos alguns incidentes da Missão Africana, viasando despertar-lhes o interesse pela obra missionária.

Atentos, eles ouviam a senhora Slessor falar-lhes de um rei africano e dos seus chefes de cor; das terras e das boas-vindas que costumavam oferecer aos missionários enviados; dos pretos de Calabar; de como Hope Waddell fora morar corajosamente no meio dos pântanos, e ali brilhar como uma luz, pregando aos selvagens o Evangelho de Cristo, e o quanto a Missão necessitava de obreiros e de manutenção.

Às cinco da manhã, Maria se levantava e ia para a fábrica, onde permanecia até às dezoito horas. Levava sempre a Bíblia consigo, lendo-a no caminho, quando ia e quando voltava, e durante os intervalos do seu trabalho. Nessa época tornara-se membro da igreja de Wishart. Ali, pouco tempo depois, começou a dirigir uma classe bíblica para meninos rebeldes. Para atrair aqueles que se recusavam terminantemente a frequentar a classe, ela promovia reuniões ao ar livre.

Certa vez um grupo de rapazes perversos resolveu acabar com uma dessas reuniões. O líder do grupo aproximou-se de Maria, sob o olhar dos demais, inclusive das crianças, e começou a girar uma corrente em cuja ponta estava presa uma bola de ferro. E a girava velozmente, avizinhando-a da cabeça de Maria, mas esta, encarando-o firmemente, não denunciava nenhum sinal de medo.  "Ela tem coragem" disse o rapaz, desistindo e abaixando o braço com que segurava a corrente. Em seguida sentaram-se todos, e juntamente com as crianças assistiram à reunião.
     
Esse incidente contribuiu para mudar a vida daqueles moços, salientando também a coragem daquela que, não temendo lidar com garotos rebeldes nem enfrentar rapazes insubordinados, desafiaria, em plena selva, a agressividade e as lanças dos negros africanos.

A missão de Calabar, na África Ocidental, tinha sido fundada no ano de 1846. Kurumã estava sendo evangelizado por Robertt Moffat, enquanto David Livingstone, "o fogo das mil aldeias", abria caminho através de todo o restante do Continente. O sonho da senhora Slessor era que Roberto, seu filho mais velho, fosse à África auxiliar o trabalho desses missionários. Mas a morte prematura do rapaz fê-la pensar que nunca teria um filho missionário.

Quando, em 1874, Maria Slessor completou 26 anos, foi pedida em casamento. Mas neste mesmo ano o Império Britânico foi abalado com a notícia da morte de David Livingstone. Fizeram então apelo a voluntários para o continente africano, e Maria, decidindo entre a obra missionária e o casamento, optou pelo primeiro e ofereceu-se como missionária para Calabar. Nessa época, ela era aluna da Escola Normal de Edimburgo, e a coragem em seguir para um lugar conhecido como "sepultura dos brancos" deixou forte impressão em todos.

Em agosto de 1876, no cais de Liverpool, Maria embarcava em um navio que a levaria a um continente que em nada se assemelhava à sua bela Escócia. Tornava-se então realidade o sonho da senhora Slessor. Pelas areias brancas de Cabo Verde, pelo Desembocadouro dos Escravos, pela Costa do Marfim e pela Costa do Ouro, a bordo do navio "Etiópia", dois olhos azuis deslizavam sua curiosidade pela misteriosa paisagem que delineia a navegação costeira. 

Maria Slessor, recebendo brandamente no rosto a aragem fresca das praias africanas, contemplava interessadamente aquelas florestas que se erguiam, hostis e impenetráveis, margeando toda a costa. Chegando a Calabar, desembarcou e foi conduzida a Duke Town, uma vila litorânea onde residiam alguns missionários. Ali ela viveu durante quatro anos, ajudando nos cultos e estudando a língua local e alguns dialetos nativos.

Era madrugada ainda quando Maria se levantava para tocar o sino, convocando os crentes à oração. O seu espírito, entretanto, ansiava por um trabalho de maior alcance, a liberdade pioneira, o desbrava-mento daquele solo enegrecido pelo pecado.

Muitas vezes ela caminhava para a mata fechada e contemplava demoradamente as árvores que se erguiam ao longe, indecifráveis, sumindo no horizonte além. Era ali que se travavam, entre tribos que praticavam a feitiçaria e o canibalismo, os choques mais horrendos e cruéis já contemplados pela natureza humana. E era ali que ela deveria estar, entre eles, modificando-lhes as práticas da ignorância e falando-lhes do amor de Jesus.

Foi de um vilarejo chamado Cidade Velha que lhe veio o primeiro convite para ir evangelizar e morar entre os negros. Ela aceitou, agradecendo a Deus. Agora poderia expandir plenamente a sua vocação missionária. Seguiu para lá acompanhada de um guia e alguns carregadores. Quando a vereda por onde caminhavam se dividiu em duas, eles se depararam com um crânio humano enfiado em uma estaca. Ali estava designada a entrada da Cidade Velha.

Durante mais de dois anos, Maria Slessor viveu naquele povoado como a única mulher branca entre negros, alegre por estar no meio deles, comendo na mesma mesa e falando-lhes da obra salvadora de Jesus. As paredes de sua casa eram de taipa e o teto de palha, e havia sempre várias crianças dormindo ali - órfãos e desprezados que Maria abrigava. Pensando nestas e nas outras crianças, fundou uma escola onde lhes ensinava não só o idioma deles, mas também a darem os primeiros passos nos caminhos eternos.

Aos domingos pela manhã, dois meninos carregando um sino em um pau de bambu, percorriam toda a vila até o local da reunião, trazendo atrás de si um número sempre crescente de negros curiosos que se achegavam para ouvir a "Mãe Branca". E quando a noite se declinava sobre o povoado, recebia sempre em sua fronte escura a claridade do cântico daqueles nativos que cultuavam a Deus à luz das tochas vermelhas.

Certa vez uma canoa pintada de vivas cores e conduzida por quatro negros de pele oleosa e rostos pintados de vermelho aproximou-se das margens do rio que banhava o vilarejo. Era a canoa do rei Ocon, chefe da tribo Ibaca, que a enviara juntamente com o convite para que Maria fosse morar em sua tribo. Ela aceitou. Esta seria uma grande oportunidade de evangelizar um povo que desconhecia Cristo. 

Logo, toda a Cidade Velha ficou alvoroçada e entristecida. Mas às três horas da madrugada, despedindo-se de todos, Maria era conduzida rio acima, sob a cobertura de uma esteira improvisada para protegê-la da chuva e da água levantada pelos remos. Por um longo espaço de tempo aqueles homens remaram, e quando a madrugada enrubescia as primeiras horas do dia, sob o latido de cães e o cantar dos galos, chegaram a Ibaca.

Deram-lhe uma casa semelhante à outra onde morava anteriormente. Multidões vieram das vilas vizinhas para ver sua pele branca. Pela manhã e à noite realizava cultos; durante o dia dava remédios aos doentes, fazia curativos em suas feridas ou lhes aconselhava o que deviam fazer. Homens, ao natural ferozes e barulhentos, ficavam em completo silêncio ao verem Maria aproximar-se para lhes contar histórias. Ali, ela falou o Evangelho de Cristo a todos os que se achegaram para vê-la.

Pelos fins de 1882, um tufão passou com extrema rapidez sobre a vila e derrubou a casa de Maria. Ela foi levada a Duke Town, mas o seu estado de saúde se agravou, fazendo-se necessária a sua volta à Escócia. Depois de três anos, recuperada e novamente pronta para enfrentar as dificuldades, voltou à África, desta vez dirigindo-se para a tribo de Creek Town. Viveu durante seis meses nesse povoado, até quando soube que o rei Eio, chefe da tribo Coiong, praticante da magia negra, a convidara para evangelizar sua tribo. 

Todos se opuseram à sua ida, alegando que aquela tribo não merecia confiança e que o convite era uma cilada. Mas ela não se impressionou, e, acompanhada de seis crianças e alguns carregadores, embarcou na canoa enviada pelo rei. Quando alcançaram a desembocadura de Equenque, a canoa foi abandonada, e, sob uma pesada chuva e o choro das crianças, iniciaram a jornada a pé, através de mais de uma légua de mata fechada. 

Sentindo no corpo as roupas encharcarem-se e os pés atolarem-se na lama, Maria avançava cantando trechos de hinos, a fim de encorajar as crianças. Mas em certos momentos era tão grande o seu cansaço que ela só conseguia pronunciar: "Pai, tem misericórdia de mim!" 

Chegaram finalmente à tribo. Reinava ali um silêncio profundo. Maria gritou e dois escravos apareceram. Um deles acendeu o fogo e trouxe-lhe água, enquanto o outro correu com a notícia de que a "Mãe Branca" era chegada. É noite. Em uma área larga, no centro da tribo, há uma multidão de negros sentados, formando um grande círculo. As casas, distribuídas de modo a formar uma larga circunferência, erguem-se em volta dos ombros escuros. No centro da reunião há uma mesa coberta com uma toalha branca, e, em cima desta, acha-se aberta uma Bíblia.

Quatro tochas presas a estacas se erguem de um lado e do outro da mesa. As chamas brilham nos rostos atentos. Junto à mesa há vários chefes sentados. E de pé, com os cabelos adquirindo tonalidade de ouro sob a vermelhidão das tochas, Maria Slessor prega ao maior ajuntamento de tribos negras já conseguido de uma só vez. 

O olhar azul contempla a multidão silenciosa e atenta. "Para alumiar os que estão no assento das trevas e na sombra da morte, para corrigir os nossos pés no caminho da paz" (Lucas 1.79), é o trecho lido naquela noite pelos lábios que ainda se abririam inúmeras vezes para pregar a Palavra da Vida.

Maria Slessor viveu ainda muitos anos entre as tribos africanas. Através de sua voz, milhares de negros tomaram conhecimento de Jesus Cristo e milhares o aceitaram como o Salvador. Ela foi, depois de David Livingstone, a missionária que mais conduziu negros aos alvos caminhos da salvação.

Em janeiro de 1915, cansada e ainda em plena África, ela foi ao encontro dAquele que, na grandiosidade do seu sacrifício, foi erguido no madeiro para constituir-se na esperança de todos os povos.

A FORMAÇÃO DE UMA AGENDA ESPIRITUAL


Meus filhos, novamente estou sofrendo dores de parto por vossa causa, até que Cristo seja formado em vós...- Gálatas 4:19

Atualmente o mundo clama pelo crescimento espiritual de uma teologia que tem trabalhado na realidade cruel da vida diária. Infelizmente, muitos têm desistido da possibilidade de crescimento em relação à formação. Um vasto número de pessoas bem intencionadas tem se exaurido no trabalho da igreja e descoberto que isto não influencia suas vidas substancialmente. Eles descobriram que simplesmente eram impacientes, egocêntricos e medrosos quando começaram a carregar o fardo pesado do trabalho na igreja. Talvez até mais.

Outros têm submergido em múltiplos projetos de trabalhos de serviço social. Mas quando o ardor de ajudar aos outros esfriou por um tempo, eles perceberam que todos os seus esforços hercúleos deixaram poucas marcas duradouras em sua vida interior. De fato, isso os deixa mais doloridos: frustração, raiva e amargura.

Ainda existem os que possuem uma prática teológica que não permite um crescimento espiritual. De fato eles deveriam ver isto como uma coisa ruim. Havendo sido salvos pela Graça, essas pessoas têm ficado paralisadas nisso. A tentativa de qualquer progresso espiritual tem um sabor de “obras de retidão” para eles. Sua liturgia diz que eles pecam em palavras, pensamentos e atitudes diárias, então eles pensam ser esse seu destino até morrerem. O Céu é o seu único alívio nesse mundo de pecado e rebelião. Consequentemente, essas pessoas bem intencionadas vão sentar em seus bancos na igreja e, um ano depois vão perceber que nenhum avanço foi feito em suas vidas com Deus.

Enfim, um mal-estar geral nos toca a todos. Refiro-me ao modo como nos acostumamos completamente com a normalidade de disfunção. A constante exploração da mídia em relação aos escândalos, vidas partidas e mazelas de toda sorte nos deixa não muito mais do que simplesmente chateados. Temos que esperar um pouco mais do que isso, ao menos de nossos líderes religiosos – talvez, especialmente de nossos líderes. Esta disfunção é tão infiltrada em toda a parte que é quase impossível termos uma visão clara do progresso espiritual. Modelos exuberantes de santidade são raros hoje em dia. Ecoando através dos séculos até os dias de hoje, estão inúmeras testemunhas que nos contam sobre uma vida muito mais abundante, profunda e completa. Em qualquer posição social ou em qualquer situação da vida, eles encontraram uma vida de “retidão, paz e alegria no Espírito Santo” (Romanos 14:17). Eles descobriram que uma transformação real, sólida à imagem de Cristo, é possível.

Eles testemunham para a formação de um caráter quase espantoso. Eles têm visto suas paixões egocêntricas darem lugar a um coração abnegado e humilde, que assusta até a eles mesmos. Raiva ódio e malícia são substituídas por amor, compaixão e boa vontade total.

Há mais de 2.000 anos de registros das vidas de grandes pessoas – Agostinho, Francis, Teresa, Kempis e muitos outros que, após seguiram arduamente nos caminhos de Jesus, tornando-se pessoas com um caráter ilibado. Os registros estão aí para quem quiser ver.

Há trinta anos, quando a Celebration of Discipline (Celebração da Disciplina) foi escrita, nós enfrentamos duas grandes incumbências: a primeira é que foi preciso rever a grande discussão sobre a formação da alma; a segunda foi encarnar esta realidade nas experiências diárias na vida individual, congregacional e cultural. Francamente, nós temos tido sucesso com a primeira tarefa. Todos os tipos de cristãos agora sabem da necessidade de formação espiritual, e olha para santos católicos, ortodoxos e protestantes para guiá-los

Mas é a segunda tarefa que precisa consumir a parte principal de nossa energia nos próximos 30 anos. Se nós não fizermos um progresso real nessas frentes, todos os nossos esforços vão evaporar e secar.

Um lembrete honesto antes de começar pra valer: a formação espiritual não é um kit de ferramentas para “consertar” a nossa cultura ou as nossas igrejas ou mesmo as vidas individualmente. Nós temos que trabalhar a formação espiritual porque este é o trabalho do Reino. Ele está bem no centro do mapa do Reino de Deus. Consequentemente, todos os demais problemas nós prazerosamente deixamos nas mãos de Deus.

Trabalhar o coração – Deus tem dado a cada um de nós a responsabilidade de “crescer em Graça” (II Pedro 3:18). Isto não é algo que possamos transferir para os outros. Nós temos que tomar as nossas cruzes individuais e seguir os passos do Cristo crucificado e ressurreto.

Todo trabalho de formação autêntico é “trabalhar o coração”. O coração é a fonte de toda ação humana. Todos os mestres religiosos constantemente nos chamam, quase de forma enfadonha, para que nos voltemos e purifiquemos os nossos corações. Os grandes sacerdotes Puritanos, por exemplo, mantiveram a atenção nisto. Em Mantendo o Coração, John Flavel, um puritano inglês do século 17 adverte que “a maior dificuldade na conversão é ganhar o coração para Deus; e a maior dificuldade após a conversão é manter o coração com Deus... Trabalhar o coração é um trabalho realmente difícil”.

Quando estamos trabalhando o nosso coração, as atitudes externas nunca são o centro da nossa atenção. Atitudes visíveis são o resultado natural de algo profundo, bem mais profundo.

A máxima do patriarca Actio “as atitudes seguem a essência” nos lembra que a nossa atitude está sempre em acordo com a realidade interna do nosso coração. Isto, naturalmente, não reduz as boas obras à insignificância, mas as tornam questões secundárias; efeitos, não causas. O significado principal é a nossa união vital com Deus, nossa nova criação em Cristo, nossa imersão no Espírito Santo. É essa vida que purifica o coração. Quando o ramo é perfeitamente unido à videira e recebe a sua vida da videira, o fruto espiritual é natural.

Por isso é que os filósofos éticos podiam dizer “a virtude é fácil”. Quando o coração está purificado pela ação do Espírito a coisa mais natural do mundo é a virtude. Para o puro de coração o vício é o que é difícil.

Não é uma coisa vã para nós retornarmos ao primeiro amor. É um ato de fé para pedir a Deus que sonde o nosso coração e nos tire de todo caminho mal (Salmos 139: 23,24). É um aspecto vital da salvação do Senhor.

Somos todos, cada um e todos nós, uma massa de motivos emaranhados: esperança e medo, fé e dúvidas, simplicidade e duplicidade, honestidade e falsidade, sinceridade e falsidade. Deus é o único que pode separar o verdadeiro do falso, o único que pode purificar as motivações do coração.

Mas Deus não vem sem ser convidado. Se alguns compartimentos do nosso coração nunca experimentaram o toque de cura de Deus, talvez seja porque não temos recebido bem o minucioso exame divino.

O mais importante, mais real e mais duradouro acontece nas profundezas do nosso coração. Este é um trabalho solitário e interno. Não pode ser visto por pessoa alguma, a não ser por nós mesmos. É um trabalho que somente Deus conhece. É o trabalho de purificação do coração, a conversão da alma, da transformação interior, da formação da vida.

Começa primeiro com nosso retorno à luz de Jesus. Para alguns, este é um inescrutável e lento voltar-se... voltar-se... até que nos voltemos completamente. Para outros é instantâneo e glorioso. Em ambos os casos nós estamos começando a confiar em Jesus, para aceitá-Lo como sendo a nossa Vida. Assim lemos sobre isso em João 3, somos nascidos do Céu. Nascer espiritualmente é um começo – um maravilhoso e glorioso começo. E não um final.

O trabalho de formação mais intenso é necessário antes de nos colocarmos diante do brilho do Céu. É necessário muito treinamento para sermos o tipo de pessoa segura e reinar tranquilamente com Deus.

Então, agora nós damos início a esse novo relacionamento. Como Pedro coloca em sua primeira carta, nós “temos nascido de novo, não de uma semente perecível, mas imperecível, vivendo e permanecendo na Palavra de Deus” (I Pedro 1: 23). Deus está vivo! Jesus é real e atuante em nossas pequenas vidas.

E então nós começamos a orar, para entrar numa comunicação interativa com Deus. No principio nossa oração é intranquila e hesitante. É uma alternação da nossa ida e volta, de nossa preocupação com a glória divina e com as tarefas mundanas de casa e do trabalho. Para trás e para frente. Para trás e para frente. E, frequentemente, a alternância é pior – muito pior – do que absolutamente não orar. Num momento nos são reveladas glorias divinas, no momento seguinte nossas mentes estão chafurdando na concupiscência da base dos nossos desejos.

Nossas vidas são fraturadas e fragmentadas. Como Thomas Keely coloca, nós estamos vivendo em “uma luta intolerável de agitação”. Nós sentimos a força de atração de muitas obrigações e tentamos cumpri-las todas. E estamos “infelizes, intranquilos, extenuados, oprimidos e tememos fracassar”. Mas, através do tempo e da experiência – às vezes muito tempo e muita experiência - Deus começa a nos dar um sossego surpreendente no Centro Divino. Nas profundezas do nosso ser, a alternância nos dá uma vida coesa intacta, de humilde adoração diante da viva presença de Deus.

Não se trata de êxtase, mas de serenidade, sem abalos, e firmeza de orientação da vida. Nas palavras de George Fox, nós nos tornamos homens e mulheres “estáveis”.

Nós começamos a desenvolver um hábito de orientação divina. Agora, isto não é perfeccionismo, mas o progresso de nossa vida com Deus. O trabalho interior da oração torna-se muito mais simples agora. Lentamente descobrimos pequenos reflexos de proteção celeste e os sopros de submissão são tudo o que é preciso para nos atrair para uma orientação habitual de nossos corações voltados para Deus. Mesmo sem saber nós nos habituamos com a presença de Deus. Momentos formais de oração nos ligam e aumentam a tendência de estabilidade de adoração tranqüila, que é a base dos nossos dias.

Por trás do primeiro plano da vida diária permanece a bagagem da orientação celestial. Esta é a formação de um coração diante de Deus. Para usar as palavras de Kelly, é “uma vida despreocupada de paz e poder. É simples. É sereno. É espantoso. É triunfante. É radiante. Não toma tempo algum, mas ocupa todo o nosso tempo”.

Como os novatos em Jesus estamos aprendendo, sempre aprendendo como viver bem; a amar a Deus bem; a amar nosso cônjuge bem; a criar nossos filhos bem; a amar nossos amigos e vizinhos – e até mesmo os nossos inimigos – bem. A estudar bem; a enfrentar as adversidades bem; a administrar nossos negócios e instituições financeiras bem; a formar uma vida em comunidade bem; a alcançar os marginalizados bem; e a morrer bem.

E, enquanto aprendemos como viver bem, compartilhamos com outros o que estamos aprendendo. Esta é a estrutura do amor para edificar o corpo de Cristo.

Nós não estamos sozinhos neste trabalho de reforma do coração. É imperativo que nos ajudemos uns aos outros de todas as maneiras que pudermos. E, em nossos dias, temos emergência de um exército espiritual sólido de guias espirituais treinados, que possam amorosamente estar lado a lado de pessoas preciosas, e ajudá-las a discernir como andar pela fé nas circunstâncias de suas próprias vidas.

Por favor, note que eu disse guias espirituais “treinados” e não guias espirituais “diplomados”.

Há uma idéia genuinamente ruim circulando nestes dias que, se nós tivermos um determinado numero de cursos e lermos um determinado numero de livros, estaremos prontos para sermos guias espirituais. Eu lamento; eu realmente gostaria que fosse tão simples assim. Mas não, nós estamos falando sobre treinamento de vida. E é apenas pelo treinamento da vida que veremos o desenvolvimento de um certo tipo de vida, uma vida de retidão, paz e alegria no Espírito Santo.

Isto é qualidade de vida – a habilidade para perdoar quando se está machucado, o desejo de orar –, o que estamos procurando nos guias espirituais treinados.

Temos uma dificuldade real aqui porque cada um pensa em transformar o mundo, mas onde estão aqueles que pensam em transformar a si mesmos?  As pessoas podem genuinamente querer serem boas, mas raramente estão preparadas para fazer o que é necessário para produzir uma vida de bondade que possa transformar a alma. A formação pessoal à imagem de Cristo é árdua e longa.

A comunhão agregando poder – Isto naturalmente leva à nossa segunda grande arena de trabalho para os anos vindouros: renovação congregacional. Se em nossas igrejas nós não trabalhamos arduamente pela formação espiritual, não conseguiremos pessoas espiritualmente formadas. Então esta é uma arena de trabalho vital, e eu estou falando de das congregações tradicionais e as recentes formas emergentes de nossa vida juntos.

No principio é importante que vejamos o contexto no qual trabalhamos.

Primeiro, nós temos em nossas igrejas a “doença da pressa”. Muitos do nosso povo são viciados em adrenalina e, em toda parte o espírito de nossos dias é de pular, de empurrar, de atropelar, de ruídos, de pressa e de multidões. Mas o trabalho de formação espiritual simplesmente não acontece com pressa.  Ele nunca é um ‘assunto rápido’. Paciência e cuidado com o tempo consumido são sempre as marcas de qualidade do trabalho de formação espiritual.

Outra situação contextual que enfrentamos é o fato de que agora temos uma indústria de entretenimento cristão que é disfarçada como adoração. Como nós comparecemos em reverência e temor diante do Santo de Israel, quando muitos de nossos cultos são focados em diversão? Eu não sei a resposta, mas é claramente uma das realidades de nossa vida congregacional.

Um terceiro assunto: nós estamos lidando com uma mentalidade consumista em toda parte que, simplesmente, domina o cenário religioso, pelo menos o norte-americano. É uma mentalidade que mantém o individual à frente e no centro: “Eu quero o que quero, quando quero e quanto quero”. Naturalmente o trabalho de formação nos ensina a dar as costas para as nossas vontades e focar necessidades reais, como a de anular o ego, tomar a nossa cruz e seguir arduamente Jesus.

Todas estas e outras coisas mais, tornam o trabalho de formação espiritual em uma congregação realmente complicado. Estou certo de que não tenho as respostas para essas questões complicadas. Mas é maravilhoso saber que ter as respostas não é tarefa nossa. Nossa tarefa é realizar o trabalho de formação espiritual, e fazer isto em uma congregação já configurada.

Primeiro, isto significa que queremos experiências profundas de comunhão através do poder da formação espiritual. A igreja é reformada e sempre está se reformando. E, se meu coração, alma, mente e espírito estão sendo reformados – se anseio conhecer Jesus, seguir Jesus, servir Jesus, ser formado à semelhança de Jesus – então sou poderosamente atraído na direção de quem e de todo aquele que está buscando conhecer Jesus, seguir Jesus, servir a Jesus e ser formado à imagem de Jesus. Uma pessoa cheia da beleza de Jesus tem comunhão adicionada ao poder. Outros são irresistivelmente atraídos na direção desta pessoa.

Segundo, vamos fazer tudo o que podemos para desenvolver a ecclesiola na Eclésia – “a pequena igreja dentro da Igreja”. A ecclesiola na Eclésia é um compromisso profundo com a vida do povo de Deus e não uma maneira sectária. Nenhuma separação. Nenhuma exclusão. Nenhuma formação nova de denominação ou igreja. Nós ficamos dentro das estruturas de igreja dadas e desenvolvemos pequenos centros de luz dentro dessas estruturas. Então nós deixamos a nossa luz brilhar!

Particularmente três expressões históricas da ecclesiola na Eclésia, valem a pena ser estudadas:

Philipp Jakob Spener (1635–1705) no século XVII

A Alemanha e sua escola pietatis
Considerado o pai do Pietismo, Spener passou seus dias praticando e ensinando sobre a conversão do coração e a santificação da vida. Aqueles que o ouviam eram tão tocados por suas pregações, que queriam mais instruções, e perguntavam se ele seria bondoso o suficiente para atendê-los. Spener começou a defender a escola pietatis com aquelas pessoas ávidas para seguir Jesus, primeiro em sua casa, depois em outras casas e, então em prédios públicos e assim por diante, com a intenção de instruir pessoas que estavam ansiosas para aprender a viver uma vida santa.

John Wesley (1703–1791) no século XVII

A Inglaterra e suas sociedades, encontros de classes e coligações.
Estes encontros eram uma maneira de dar ordem e disciplina aos novos convertidos. As sociedades tinham o propósito de comunhão, os encontros de classes eram para tratar de responsabilidades e as coligações tinham o propósito de amor e confissão mútua de pecados.

Hans Nielsen Hauge (1771–1824) no século XIX

A Noruega e a “missão interna”.
Houve um grande movimento de renovação na Noruega sob a liderança de Hauge, mas – e isto foi crucial – ele estimulava seus seguidores a permanecer na igreja Luterana da Noruega. Hauge os organizou em pequenas estruturas dentro daquelas igrejas e chamou seu trabalho de piedade e de formação de corações de “missão interna”.

Esta ecclesiola na Eclésia, este trabalho de formação espiritual, produz um certo tipo de comunhão, um certo tipo de comunidade. Isto produz uma unidade de coração, alma e mente, um vínculo que não pode ser quebrado – um milagre – abastecido de cuidado e compartilhamento da vida juntos que nos levará a enfrentar as circunstâncias mais difíceis.

E isto me leva à minha terceira sugestão para a formação espiritual da congregação: que nós aprendemos a sofrer juntos.

Eu creio que o nosso tempo de sofrimento está chegando. Muitos fatores levarão a isso. Por exemplo, a cultura geral de hostilidade para as coisas concernentes ao cristianismo está crescendo. Não devemos ficar surpresos ou mesmo tentar mudar isto. O que nós deveríamos estar fazendo é estar construindo uma vida comunitária sólida para que, quando o sofrimento chegar, nós não estejamos dispersos. Devemos ficar juntos, orar juntos e sofrer juntos independente do que vamos enfrentar. Sofrer juntos pode ser um bom modo que Deus usa para um novo ajuntamento do povo e Deus.

De volta ao mundo – Finalmente chegamos à discussão sobre a renovação cultural ou o que na teologia é chamado de “mandato cultural”. Posso apenas sugerir aqui com o que isto se parece.

Os mestres religiosos escreveram muito sobre o treinamento do coração em duas direções opostas: contemptus mundi, rápido desprendimento das ligações e ambições, e amor mundi, nosso ser arremessado para uma divina, porém dolorosa, compaixão pelo mundo.

No começo Deus arranca o mundo de nossos corações – comtemptus mundi. Aqui experimentamos um rompimento das correntes que nos atraem para posições proeminentes e de poder. Todos os nossos desejos de reconhecimento social, para ter nosso nome em evidência, começam a parecer fracos e superficiais. Aprendemos a deixar todo o controle, toda a administração. Nós vivemos livre e alegremente sem enganos.

E, então, quando nos libertamos de tudo isso, Deus lança o mundo de volta ao nosso coração – amor mundi – onde nós e Deus, juntos, tomamos o mundo em infinita ternura e amor. Nós aprofundamos a nossa compaixão pelos feridos, pelos arruinados, pelos despossuídos.

Nós sofremos, oramos e trabalhamos por outros de uma maneira diferente, de uma forma abnegada, cheia de alegria. Nosso coração fica estendido em direção aos marginalizados. Nosso coração fica voltado para todas as pessoas, para toda a criação.

Foi o amor mundi que atirava Patrick de volta à Irlanda para responder à sua pobreza espiritual. Foi o amor mundi que impulsionou Francisco de Assis para o seu ministério mundial de compaixão por todas as pessoas, por todos os animais, por toda a criação. Foi o que levou Elizabeth Fry às portas do inferno da prisão de Newgate e induziu William Wilberforce a trabalhar a sua vida inteira pela abolição do comércio escravo. Isto enviou Padre Damião a viver, sofrer, e morrer entre os leprosos de Molokai e impulsionou Madre Teresa a ministrar entre os mais pobres entre os pobres da Índia e do mundo todo.

É o amor mundi que compele milhões de pessoas comuns como você e eu a ministrar vida no nome bom de Cristo aos nossos vizinhos.

Richard J. Foster é autor de muitos livros, o mais recente é “Life With God”. Este artigo é uma versão condensada e editada de uma palestra dada em uma conferência pela ocasião do 30º Aniversário de “Celebration of Discipline” (Celebração da Disciplina).

APENAS UMA QUESTÃO HISTÓRICA

Sempre nesse tempo de celebrações na sociedade e que nós cristãos também compartilhamos reflito entre Páscoa, uma celebração com origem no céu, datada, real e que nós, ressalvadas as exceções não celebramos. 
O Natal tão exaustivamente discutido ao longo da última semana e o Ano Novo, pelo que sei celebrado entre nós sem exceções.
Digo sem exceções pois não tenho conhecimento de nenhuma igreja ou congregação que essa noite mesmo não sendo dia regular de culto não tenha suas portas abertas para celebração até que relógio e calendário marquem nova hora e data. Caso não esteja correto quanto ao "todos" já me redimo antecipadamente.

SENDO QUE CRER TAMBÉM É PENSAR...
Janeiro é o primeiro mês do ano no calendário juliano e gregoriano. É composto por 31 dias. O nome provém do latim Ianuarius, décimo-primeiro mês do calendário de Numa Pompílio, o qual era uma homenagem a Jano. 

A comemoração ocidental, isso é, a nossa, tem origem num decreto do imperador romano Júlio César, que fixou o 1 de janeiro como o Dia do Ano-Novo em 46 a.C.

JANEIRO POR QUÊ?
Os romanos dedicavam esse dia a Jano, o deus dos portões. O mês de Janeiro deriva do nome de Jano, que tinha duas faces (sendo, portanto, bifronte) - uma voltada para frente (visualizando o futuro) e a outra para trás (visualizando o passado). O povo romano era politeísta e Jano era um entre os muitos deuses do seu panteão.
Não existe nenhum relato de que o povo judeu dessa mesma época tenha comemorado esse ano-novo, nem que tampouco que os primeiros cristãos o tenham feito.

É isso. 

QUE BOM QUE É NATAL, DE NOVO!!

O que é muito legal no Natal são as memórias construídas ao longo da vida enquanto os filhos crescem. Quem hoje tem filhos pequenos ou se os já teve sabe bem do que falamos. 

A expectativa dos nossos filhos quando pequenos era muito divertida, na ansiedade pela informação, um fala "painho o que vou ganhar de Natal" outra diz "eu quero esse ou aquele brinquedo" era o que sempre acontecia todos os anos, e hoje, mesmo adultos, ainda acontece! 

Imagine você num tempo tão especial como esse oferecer como resposta sobre o Natal aos seus pequenos um tratado teológico sobre se o SENHOR nasceu em dezembro ou se mais provavelmente em abril quando acontece a Páscoa judaica - afinal todo cordeiro sacrificado na Páscoa sempre nascia na Páscoa, é o que consta nas Escrituras Sagradas.

Alguns argumentam "O SENHOR não mandou festejar seu aniversário". Claro! É óbvio que não mandaria! Pessoas amadas não precisam promover o próprio aniversário, é seus amigos que o fazem, que o digam os sábios do oriente. 

Feliz Natal!! 

Robespierre & Ederylda Machado

SOBRE OUTROS E SOBRE NÓS...

Orem pelos reis e por todos os outros que têm autoridade, para que possamos viver uma vida calma e pacífica, com dedicação a Deus e respeito aos outros. Isso é bom, e Deus, o nosso Salvador, gosta disso 1Tm 2.2 e 3 (NTLH).

Diante da intensa e deslavada corrupção e pecado que a nação e milhares dos seus líderes políticos, sociais, eclesiais - que são as principais colunas do povo - estão imersos me inquieta a ordem do SENHOR pois a minha parte Zelote, Boanerges e Finéas, filho de Eleazar, se agita exigindo mais e imediatas ações. Então, quando sou invadido por esse sentimento logo tomo o caminho de Asafe e tudo fica bem; logo tudo estará como deve ser.

Logo o SENHOR fará justiça, sim, logo fará. Tudo ficará bem pois sei que Ele tem o controle de tudo, inclusive daqueles que não mais o temem nem se apavoram em pecar diante D'Ele, o criador e sustentador de tudo.

Impossível calar, diariamente vejo no mundo homens e mulheres apavorados, aterrorizados só em pensar que terão que estar diante de DEUS. E nós o desprezamos, cuspimos em seu rosto com os nossos pecados pessoais e institucionais. 

Declaramos sem nenhum pudor para o universo inteiro saber, sim declaramos com as nossas ações que não o tememos. Embora não o admitamos pecamos e com os nossos atos como Faraó dizemos: Quem é o SENHOR?

Às vezes reflito, imaginando pensar em secreto, mas glória a DEUS que é impossível pensar ou agir secretamente, sim, fico a imaginar que se Ele não tivesse dito as palavras que dão base para esse post... Mas, glória ao SENHOR, porque Ele disse!!!

Paz e bençãos!

SOBRE O SONO

Dormir é um momento reconfortante mas não para todos.

Muitos transmutaram em amargo aquilo que as Escrituras Sagradas afirmam ser doce.

Mergulhados em toneladas de hipinóticos estes tentam inutilmente conciliar os reclames de uma consciência inaplacada buscando refúgio onde não encontrarão.

Isso nos remete a milenar e sagrada sentença, o profeta numa lamentação assevera "De que se queixa o homem..."

Doce é o sono nele suprimentos para a existência são acrescidos à aquele que dorme, é o que diz a Bíblia; certamente, é fato, se o que dorme não está maleado em nódoas que não procedem do céu.

Doce é o sono que pode conciliar-se com um simples "Venha o teu reino" repetido infinitas vezes ao longo da jornada sem medo e pavor que Ele de fato venha.

Doce é o sono de quem não tem débitos, secretos aos homens mas escancarados diante de quem o salmista em agonia afirma que não há onde possa ir sem ser por Ele encontrado, inclusive no sono.

Boa noite!

O valioso tempo dos maduros

Encontro das águas entre o Rio Negro e o Solimões 
por Ricardo Gondim
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados. 
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.  

As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade.

Quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.

SOBRE SAUDADE - Em algum lugar foi dito: "Saudade, saudade é o amor que fica"


Modalidade e Sodalidade

Sobre Modalidade e Sodalidade


No Brasil e em grande parte do mundo cristão, quase não se questiona a estrutura da igreja local, representada principalmente pelas congregações denominacionais. Para nós, igreja é sinônimo de instituição. Isso faz com que as estruturas missionárias não ligadas a uma denominação específica ou interdenominacionais sejam vistas como paraeclesiásticas –próximas da igreja, mas não parte dela. Daí conclui-se: se as congregações fossem “mais missionárias”, não precisaríamos das agências de missões.

No entanto, estudiosos que dedicaram-se à análise das formas como a igreja se apresenta ao longo de sua história identificaram duas estruturas diferentes e complementares; ambas compondo igualmente o corpo de Cristo. No Novo Testamento, vemos as igrejas locais, congregacionais –a modalidade– e os grupos missionários, especialmente o de Paulo – a sodalidade.

De acordo com o antropólogo e missiólogo Dr. Ralph D. Winter, as modalidades são “comunidades estruturadas nas quais não há distinção de sexo ou idade”, ou seja, fazem parte dela igualmente “velho e jovem, homem e mulher”; “é um organismo biologicamente perpetuável”. Entre as funções da modalidade estão: congregar, cuidar, nutrir os crentes locais e atuar no contexto social à sua volta. Por sua vez, as sodalidades são estruturas organizadas em torno de alvos específicos e de um senso comum de missão e visão. Exigem de seus membros uma segunda decisão, baseada em um chamado e vocação, e também o compromisso com um estilo de vida alternativo visando o alcance dos alvos, vivência da missão e implementação da visão. 

Entretanto, o nível de compromisso com o relacionamento com Deus e com incluir o próximo nesse relacionamento deve ser o mesmo em ambas as estruturas.

Dentro destas características, temos as modalidades sendo representadas ao longo da história pelas sinagogas cristãs dos primeiros séculos do Cristianismo, pelas paróquias e dioceses da igreja romana e, mais recentemente, pelas congregações denominacionais evangélicas. As sodalidades, por sua vez, são representadas pelos grupos missionários como o de Paulo, pelas ordens religiosas católicas, e pelas juntas e agências missionárias da Era Moderna.

Uma importante característica da sodalidade é sua autonomia. Observando a relação do grupo missionário de Paulo com a igreja de Antioquia, a qual o liberou para o trabalho que o Espírito Santo lhe havia enviado a fazer [Atos 13:1-4], podemos observar que Paulo era autônomo em relação a ela na tomada de suas decisões, mas totalmente submisso ao Espírito [Atos 16:6-10]. No entanto, não houve um rompimento de Paulo com esta igreja; pelo contrário, apesar de não ser governado por ela, Paulo reportou-se, prestou contas de seu ministério à igreja em Antioquia e a via como um lugar para onde podia retornar de suas viagens [Atos 14:26-28].

Há de se diferenciar aqui autonomia de independência. A sodalidade de Paulo era autônoma em relação à igreja que o liberou, ou seja, possuía capacidade de administrar-se livremente de acordo com as necessidades da missão a ser cumprida, mas não era independente no sentido de ausência de relações. Na verdade, este relacionamento entre modalidade e sodalidade é “tão fundamental” que dele provém grande parte dos escritos do Novo Testamento –as cartas enviadas de membros das sodalidades às igrejas locais. Vemos também que os membros da sodalidade são comumente provenientes da modalidade.

Enfim, há uma relação de interdependência entre as estruturas e ambas são legítimas na composição do corpo de Cristo. Funções diferentes, mas igual importância. Quando entendermos e vivermos isto, seremos realmente eficientes no cumprimento da grande comissão, pois assim refletiremos a união que Jesus mencionou como a característica pela qual o mundo reconheceria que Deus o enviou [João 17:21]. Duas estruturas, mas um só corpo.

Identificação, conceito e justiça

O zelo dos reformadores protestantes em retomar o Cristianismo em sua essência e criar uma identidade cristã fora do Catolicismo atropelou tradições cristãs que remetem historicamente à herança abraâmica. Com a privatização da Igreja no século 18, o Cristianismo moderno se distanciou ainda mais dessas heranças. O cristão se tornou um indivíduo afastado do meio, inerte em atividades elevadas ao estatuto de sagradas.

No final dos anos 1960, os frades dominicanos, envolvidos na luta contra a ditadura militar no Brasil, foram expressão da mudança de rumos da organização popular na sociedade brasileira. O Brasil vivia dois conflitos: a economia em mãos estrangeiras e o Estado em poder de autocratas militares. Partindo de uma nova maneira de ler a Bíblia e da preocupação com o que significaria ser cristão naquela conjuntura, abandonando a antiga dualidade entre fé e vida, a ordem dos dominicanos se tornou o embrião dos movimentos populares.

Durante o golpe militar, esses movimentos foram vistos como laboratórios de idéias comunistas e seus participantes perseguidos pelo regime autoritário; no entanto, a população encontrou entre eles a sua voz. “Quando dou pão aos pobres, chamam-me de santo, quando pergunto pelas causas da pobreza, me chamam de comunista”, diz Dom Hélder Câmara.

Se com a supressão dos direitos constitucionais, perseguição política, prisão e tortura aos opositores, censura aos meios de comunicação, as pessoas imergiram em um universo despolitizado, a ordem dos frades fazia o caminho inverso. Mobilizaram-se para promover novos espaços públicos, amparar presos políticos e convergir grupos que, por ideologia, se posicionavam em resistência às injustiças contra o povo.

A desigualdade social, que ao longo da história é denunciada por diversos grupos, é costumeiramente fruto de mudanças nas ênfases econômicas e no modo de produção. Em Israel, por volta do século 8 a.C., a economia da nação, a exemplo do modo fenício, investiu no incremento do comércio em detrimento da agricultura; o que resultou, como afirma Toynbee, em “uma alteração quase revolucionária na distribuição da riqueza, com desvantagem para a maioria pobre da população.”

Nesse período reinava sobre Israel Jeroboão II. Seu reinado foi marcado por um período de expansão territorial e prosperidade. Mesmo com o cisma ocorrido anteriormente, na morte de Salomão –que dividiu a nação em dois reinos– Israel vivenciou no século 8 a.C. um período de estabilidade política e prosperidade econômica com a tomada da Síria pela Assíria, o que possibilitou a expansão territorial por meio da retomada das terras ocupadas pelo reino sírio. Todavia, o bem-estar econômico e político ocultava uma decomposição social. O contraste entre ricos e pobres denunciava injustiças e degradação moral.

Esses fatos são evidenciados nos escritos do profeta Amós, presentes na composição bíblica. Amós, contemporâneo de Jeroboão II, relata a sociedade da qual faz parte. A fluência e a construção de seu texto revela um homem em contato direto com as questões do seu tempo em matéria de sociedade, política e economia.

A palavra profeta chega a nós através do vocábulo hebraico nabi, ou “aquele que proclama”; um conceito diferente do utilizado hoje, que relaciona a palavra à predição. Dessa forma, o trabalho de Amós era o de anunciar a Israel o castigo que viria como conseqüência de suas práticas de injustiça. Fazendo-se uma voz contra injustiça, Amós denunciava as práticas sociais que iam contra o conceito de justiça presente na religião e na cultura hebraica.

A essência da ação de Amós se concentra na sua compreensão da idéia de Deus. Para ele, todo entendimento de Deus estava baseado no pressuposto de justiça. A moralidade e a justiça eram centrais em Deus. Dessa forma, ele apresenta em seu discurso a implantação da justiça como única via de remissão, colocando o homem como agente direto de transformação e responsável pelo destino da sociedade. Amós posiciona o homem como um agente social.

O caráter social da atuação dos profetas em Israel está relacionado à influência que eles representavam no campo das idéias. Sua maior responsabilidade não estava em estruturar um plano de reforma social propriamente dito, ou uma mobilização social em termos revolucionários, mas em produzir conceitos a serem lançados sobre a sociedade, que modificariam tanto o pensamento como a prática social. O filósofo José Luís Sicre, em sua obra Profetismo em Israel, aponta o caráter social da atuação dos profetas: “Um dos aspectos mais célebres e importantes da mensagem profética é constituído pela sua denúncia dos problemas sociais e pelo seu esforço em prol de uma sociedade mais justa.”

Na modernidade, com o apogeu do iluminismo, as sociedades ocidentais se empenharam em dissociar a religião das questões sociais humanas; retomando o conceito grego que diferenciava os espectros humanos entre mythos e logos, em que o mythos englobaria exclusivamente as questões intemporais, religiosas e de transcendência.

Desde então, a religião tem sido compreendida como responsável apenas pela espiritualidade do homem, não comunicando em nada com os enfrentamentos da sociedade em geral. Parecendo abusiva e fora de jurisdição qualquer crítica social ou atuação relevante, as sodalidades hoje enfrentam o dilema de responder a questões sociais em um mundo que não as compreende.

Na prática, as sodalidades religiosas buscam responder a três necessidades: identificação, conceito e justiça social. Sociologicamente, representam a capacidade humana de construir grupos com um propósito específico. Em Roma, por volta do século 7 a.C., o termo sodalitas englobava dois agrupamentos sociais: um político, outro religioso. As sodalidades políticas reuniam bens e habilidades de pessoas abastadas para se promover, enquanto as religiosas convergiam recursos e talentos para se ocupar das questões que envolviam a complexidade humana, seja em aspectos de moral, transcendência ou vivência.

Com a decadência do Império Romano, o conceito de sodalidade política se esvaneceu, permanecendo exclusivamente o de caráter religioso. Hoje, as associações que ousam se afastar do conceito iluminista sobre a prática religiosa para convergir habilidade, conhecimento e know-how estão fadadas a serem desacreditadas em sua finalidade. Na pós-modernidade esta prática parece ser legítima apenas às instituições do mercado. 

Fonte: Abrangente reflexão produzida por missionários de JOCUM sobre o conceito de Modalidade e Sodalidade. 

A vida devocional do cristão

A vida devocional

Encontramos o Senhor mais facilmente quando descemos, e não quando subimos.

Um dos pilares da experiência cristã é a vida devocional, isto é, o cultivo de uma relação de intimidade com Deus através da leitura bíblica e da oração. Na recomendação de Jesus Cristo, a vida devocional acontece no quarto de portas fechadas, no secreto, longe do público e das distrações.

A vida devocional é um privilégio extraordinário para os que creem. Na antiga aliança, só o sumo sacerdote, uma vez por ano, tinha acesso à presença de Deus no Santo dos Santos, no templo de Jerusalém. Porém, no momento em que Jesus Cristo morre na cruz, o Evangelho relata que o véu que dava acesso ao Senhor foi rasgado de alto a baixo – e lemos no livro de Hebreus que, agora, podemos entrar confiadamente na sala do trono pelo novo e vivo caminho no sangue de Cristo.

Deus não está mais no templo de Jerusalém, edificação feita por mãos humanas. Agora, ele habita no coração do homem e da mulher que nele creem e, assim, nosso corpo se tornou o templo do Espírito Santo. Este é o mistério de Cristo em nós; assim foi abolido o sacerdócio como privilégio dos levitas e, no Filho de Deus, o sacerdócio se tornou universal e inclui todos os crentes. Apesar disso, o que temos visto na Igreja é um retrocesso, pois o lugar do encontro com Deus se tornou o templo no domingo; a adoração é intermediada pela banda e pelo dirigente do louvor, e Deus fala através de pregadores ungidos. Além disso, levamos nossas orações para intercessores que, supostamente, têm poder.

O resultado é uma geração de crentes que dependem de intermediários na sua relação com Deus. Ao invés da leitura bíblica pessoal, ouvimos sermões, e no lugar da oração pessoal, aquela que se desnuda diante do Senhor, fazemos nossos pedidos na reunião de oração. É por isso que existem tão pouco santos e profetas entre nós, e tantos crentes imaturos e instáveis. Santo não é aquele que não peca mais, mas o que sabe que é um grande pecador e vive quebrantado e na dependência do Espírito Santo. E profeta não é aquele que adivinha o futuro, mas denuncia o mal e anuncia o juízo, sem preocupação em agradar aos outros.

A vida devocional ficou em segundo plano, e sem uma relação pessoal com Deus a ênfase recai na vida comunitária, no programa, no culto – em parte porque nos tornamos pessoas inquietas e agitadas que não conseguem parar, e em parte porque achamos que Deus só fala conosco através de pastores. Mas também negligenciamos a vida devocional porque achamos improdutiva e perda de tempo e buscamos experiências espirituais eufóricas e entregamo-nos ao ativismo religioso.

Sabemos que Deus habita o mais alto e santo lugar nos céus, mas também habita o coração do contrito e do abatido de espírito. Procuramos o Altíssimo nos mais altos céus – mas ele está muito mais perto de nós, no nosso coração. Encontramos o Senhor mais facilmente quando descemos, e não quando subimos; descemos ao nosso coração para encontrá-lo por trás da nossa maldade e da nossa agitação. 

A casa do Pai é o nosso próprio coração: por isso, voltar para à casa do Pai é retornar ao nosso próprio coração. Ali, ouvimos sua palavra e lhe respondemos com nossas orações. Esta é uma descrição da vida devocional. Em outras palavras, podemos dizer que é o cultivo de uma amizade com Deus no recôndito do nosso coração. Nossa vida se torna, então, um caminho com Cristo até Cristo, um caminho em direção ao nosso próprio coração, onde o Senhor nos aguarda apesar das nossas agitações e preocupações. Aquietamo-nos para encontrá-lo e, quando o encontramos, estamos prontos para encontrar outros.

Sabemos da importância dos frutos na vida cristã: fruto de arrependimento, fruto do Espírito e fruto de boas obras. Todavia, a parte mais importante de uma árvore é a raiz. A árvore pode ter um tronco magnífico e folhas viçosas, mas se a raiz estiver afetada, seus frutos serão ruins e ela pode até morrer. Pois a vida devocional é raiz que precisa estar coberta, no escuro, nas profundezas. Se ela é saudável, alimentando-se da seiva viva e bebendo dos mananciais de águas puras, então não precisamos nos preocupar com os frutos – eles, certamente, virão e serão bons.

Precisamos resgatar o ensino e a prática do sacerdócio universal dos crentes e o vinculo de intimidade com Deus através da leitura bíblica e da oração no secreto.

Fonte: Cristianismo Hoje

UMA RÁPIDA EXEGESE NO LIVRO DE MALAQUIAS

I – INTRODUÇÃO

O Livro de Malaquias, no tradicional cânon judaico, ocupa o último lugar entre os escritos dos chamados profetas menores, tendo sido escrito após o exílio babilônico, quando o Templo de Jerusalém já havia sido reedificado, pois há claras indicações que os sacrifícios e festas achavam-se plenamente restaurados. O Templo anterior tinha sido incendiado por Nebuzaradão, general de Nabucodonosor (II Reis 25:8 e 9).

O profeta Malaquias era um judeu de firmes convicções, de rigorosa integridade e de intensa devoção a Deus. Ele era contemporâneo de Neemias (comparar Malaquias 2:8 com Neemias 13:29 e Malaquias 2:10-16 com Neemias 13:23) e de Esdras (comparar Malaquias 2:11 com Esdras 9:1 e 2). Em seus escritos há uma repreensão severa contra os sacerdotes que se converteram em pedras de tropeço em vez de serem líderes espirituais para o povo. 

Embora o Livro tenha apenas quatro capítulos, infelizmente poucos são os que verdadeiramente têm se debruçado para entender todo o seu contexto. Esta é a razão porque há tantas interpretações equivocadas e tendenciosas quanto ao texto de Malaquias 3:8-10. Quando Deus disse: “Todavia vós Me roubais... nos dízimos e nas ofertas alçadas” (Malaquias 3:8), Ele estava direcionando estas palavras a quem? Esta questão deve ser analisada em todo o seu contexto histórico à luz da Palavra de Deus.

II – A QUEM SE DESTINAVA A MENSAGEM?

Na parte introdutória do livro é mencionado que a mensagem de Deus foi dada a “Israel, por intermédio de Malaquias.” Malaquias 1:1. 

Após o exílio babilônico, a decadência de Israel em termos espirituais era notória. Esta decadência teve como causa a corrupção moral e doutrinária de seus líderes religiosos. A exposição dos fatos no livro de Malaquias, indica que a principal queixa de Deus foi contra os sacerdotes, claramente explicitada a partir do verso 6 “O filho honra o pai, e o servo ao seu amo; se Eu, pois, sou pai, onde está a Minha honra? E se Eu sou amo, onde está o temor de Mim? Diz o Senhor dos exércitos a VÓS, Ó SACERDOTES, que desprezais o Meu nome. E vós dizeis: Em que temos nós desprezado o Teu nome?” Malaquias 1:6.

O texto indica de que houve um desvio de conduta por parte dos sacerdotes, sendo culpados de desprezarem o nome de Deus. Eles perderam o relacionamento pessoal com Ele. Os sacerdotes do templo, em desobediência à lei que regulamentava as atividades do Templo, indevidamente recolhiam todas as ofertas do povo, nada deixando para os levitas, os órfãos, as viúvas e estrangeiros. Os sacerdotes transformaram-se em profissionais da religião e totalmente divorciados de Deus.

As passagens seguintes fornecem maiores detalhes, especificando os pecados cometidos pelos sacerdotes, não todos, mas aqueles que eram arrogantes e desonestos. Eles foram culpados de profanarem o nome de Deus e de oferecerem no altar sagrado ofertas inaceitáveis, tais como animais cegos, coxos e enfermos (Malaquias 1:7-14). Deus fala especificamente aos sacerdotes e não ao povo, pois eram os sacerdotes que acendiam o fogo no altar (Malaquias 1:10). 

O capítulo 2 de Malaquias prossegue com a condenação de Deus aos SACERDOTES:

“Agora, ó SACERDOTES, este mandamento é para VÓS.” Malaquias 2:1. 

Após descrever alguns pecados deles (Malaquias 1:6-14), Deus agora descreve o seu castigo: “Se não ouvirdes, e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao Meu nome, diz o Senhor dos exércitos, enviarei a maldição contra vós, e amaldiçoarei as vossas bênçãos; e já as tenho amaldiçoado, porque não aplicais a isso o vosso coração. Eis que vos reprovarei a posteridade, e espalharei sobre os vossos rostos o esterco, sim, o esterco dos vossos sacrifícios; e juntamente com este sereis levados para fora.” Malaquias 2:2 e 3.

Não se deve esquecer que a aliança de Deus com Israel incluía a Sua específica aliança com os sacerdotes da tribo de Levi. No entanto, Deus disse que os SACERDOTES corromperam o pacto de Levi: “Então sabereis que Eu vos enviei este mandamento, para que o Meu pacto fosse com Levi, diz o Senhor dos exércitos. Meu pacto com ele foi de vida e de paz e Eu lhas dei para que Me temesse; e ele Me temeu, e assombrou-se por causa do Meu nome. A lei da verdade esteve na sua boca, e a impiedade não se achou nos seus lábios; ele andou comigo em paz e em retidão, e da iniqüidade apartou a muitos. Pois os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens procurar a instrução, por que ele é o mensageiro do Senhor dos exércitos. Mas vós vos desviastes do caminho; a muitos fizestes tropeçar na lei; corrompestes o pacto de Levi, diz o Senhor dos exércitos.” Malaquias 2:4-8.

Como conseqüência, Deus os fez “desprezíveis e indignos diante de todo o povo,...” (Malaquias 2:9). 

Deus continua falando aos SACERDOTES em Malaquias.2:10-17, condenando-os por causa dos casamentos com mulheres estrangeiras. Deus censurou a hipocrisia dos sacerdotes, por continuarem a oferecer sacrifícios, enquanto viviam em rebelião. Esta conclusão é obvia, pois Malaquias 2:13 tem uma forte relevância contra os sacerdotes, por terem sido eles os que literalmente choravam sobre o altar. O povo de Judá e Israel não tinha acesso direto ao altar. 

Com relação aos casamentos mistos com mulheres pagãs, a mesma situação ocorreu no tempo de Neemias, ocasião em que Deus sentia-Se muito desgostoso com os sacerdotes (Neemias 13:27-30).

Em Malaquias 3:1-5 a repreensão de Deus é novamente dirigida aos SACERDOTES. Nestes textos, ao anunciar o envio do “mensageiro”, uma profecia cumprida mais tarde na pessoa de João Batista, que prepararia o caminho do Messias, Deus anunciou que o juízo começaria pelo “Seu Templo”, para purificar “os filhos de Levi”. Esta associação de palavras: “templo”, “filhos de Levi”, tudo tem a ver com o sacerdócio levítico. Com a centralização de poder por parte dos sacerdotes, as normas de Deus foram desvirtuadas, desobedecidas e as coisas santas foram profanadas. Como conseqüência, os sacerdotes, detentores de todo o poder, passaram a oprimir as viúvas, os órfãos e os estrangeiros, por não repassarem os dízimos que lhes eram devidos. Estes dízimos não eram em dinheiro, mas em forma de alimentos. Esta prática perversa já tinha sido denunciada por Deus através o profeta Ezequiel:

“Os seus sacerdotes transgridem a Minha lei, e profanam as Minhas cousas santas; entre o santo e o profano não fazem diferença; nem discernem o impuro do puro; e de Meus sábados escondem os seus olhos, e assim sou profanado no meio deles. Os seus príncipes no meio dela são como lobos que arrebatam a presa, para derramarem o sangue, para destruírem as almas, para seguirem a avareza. E os seus profetas têm feito para eles reboco de cal não adubada, vendo vaidade, e predizendo-lhes mentira, dizendo: Assim diz o Senhor Jeová; sem que o Senhor tivesse falado. Ao povo da terra oprimem gravemente, e andam roubando, e fazem violência ao aflito e ao necessitado, e ao estrangeiro oprimem sem razão.” Ezequiel 22:26-29.

O texto acima foi escrito muitos anos antes de Malaquias. Já naquela época Deus tinha transmitido mensagens duras contra os sacerdotes, condenando as suas más práticas. Indiscutivelmente foram eles os opressores do povo e foram eles também os que roubavam e agiam com violência contra os aflitos e necessitados. 

Assim, respeitando o contexto, é justo concluir que o pronome “vós” mencionado em Malaquias 3:7-10 refere-se aos SACERDOTES desonestos. Esses sacerdotes eram culpados de roubar a Deus e por isso Ele os repreendeu severamente, conforme Malaquias 1:6 e 2:9. Deus estava cansado da desonestidade deles. Por estas razões as maldições estavam sendo direcionadas a eles (Malaquias 1:14, 2:2 e 3:9). 

III – UM HISTÓRICO DE PERVERSÃO DO SACERDÓCIO LEVÍTICO

O sistema sacrifical concedia aos sacerdotes excelente oportunidade de ensinar o plano da salvação aos transgressores. No entanto, os rituais celebrados pelos sacerdotes no santuário foram pervertidos. O sacrifício de animais tornou-se uma fonte de renda para eles. Alguns dos sacerdotes corruptos viram perfeitamente que quanto mais o povo pecasse e quanto mais trouxesse ofertas pelo pecado e ofensas, tanto maior porção lhes caberia. 

Chegaram ao ponto de animar o povo a pecar. Está escrito acerca dos sacerdotes corruptos: “Alimentam-se do pecado do Meu povo, e da maldade dele têm desejo ardente.” Oséias 4:8. Afirma este texto que os sacerdotes, ao invés de admoestar o povo e insistir em que deixasse o pecado, tinham “desejo ardente” de sua maldade, e almejavam que pecasse outra vez e voltasse com outra oferta pelo pecado. 

A degradação do sacerdócio ocorreu já na primeira fase de sua existência (I Samuel 2:13-16). Deus ordenara que a gordura fosse queimada sobre o altar, e que se a carne fosse comida, devia ser fervida. Os sacerdotes, contudo, desejavam a sua porção crua com a gordura, de modo que a pudessem assar. Deixara de ser uma oferta sacrifical, para tornar-se, em vez disso, uma festa de glutonaria. A Palavra de Deus diz que “era, pois, muito grande o pecado destes mancebos perante o Senhor, porquanto os homens desprezavam a oferta do Senhor.” I Samuel 2:17.

Com o passar do tempo a corrupção se generalizou a tal ponto que o cargo do sumo sacerdote revestiu-se de caráter político, ao ser ele designado pelo governo. Os lucros das grandes festas eram repartidos com os oficiais superiores. Todo o plano de Deus foi corrompido pelos sacerdotes. Por isso a expressão de Jesus: “A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a fazeis covil de ladrões.” Mateus 21:13.

Muitos dos sacerdotes possuíam um amargo ressentimento contra os profetas. Eles odiavam os homens que eram enviados para repreendê-los. Muitas das perseguições movidas contra os profetas no Antigo Testamento foram chefiadas ou instigadas pelos sacerdotes. Os profetas foram por eles perseguidos, torturados e mortos. 

Os oponentes de Cristo eram sempre os sacerdotes, os escribas e os fariseus. Quando o Senhor Jesus foi apresentado perante Pilatos, foram os sacerdotes os que Lhe acusaram (Marcos 15:3). Oferecendo-Se sobre o Calvário, tornou sem valor a partir de então o sistema sacrifical. Pessoalmente, durante o Seu ministério, Cristo não ofereceu sacrifício algum, porque Ele não pecou, e, ensinando os homens a não pecar, feriu o cerne da perversão sacerdotal. 

Não se deve pensar, todavia, que todos os sacerdotes eram ímpios. Muitos homens fiéis podiam ser contados entre eles. 

IV - CONCLUSÃO

Os sacerdotes foram incapazes de discernir o profundo significado espiritual do seu serviço simbólico. As gloriosas verdades, que estavam claramente delineadas neste serviço sagrado, foram obscurecidas, por causa da sua desobediência aos preceitos de Deus. De uma maneira solene os sacerdotes impenitentes foram advertidos sobre o dia do julgamento por vir e para eles foi endereçado o seguinte convite de Deus: “Tornai vós para Mim e Eu tornarei para vós.” Malaquias 3:7.

Ao rejeitarem este afetuoso convite de Deus, eles selaram o seu destino. Mais tarde, nas proximidades do fim do ministério terrestre de Cristo, os principais sacerdotes ouviram do Mestre a parábola da vinha (Mateus 21:33-46). Havendo retratado ante os sacerdotes o seu ato final de impiedade, Cristo dirige-lhes a pergunta: “Quando, pois, vier o Senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?” Os sacerdotes haviam acompanhado a narrativa de Jesus com profundo interesse. Sem considerar a relação que havia do assunto para com eles mesmos, a resposta deles foi a seguinte: “Fará perecer miseravelmente a esses maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe entreguem os frutos.” Inadvertidamente haviam eles pronunciado sua própria condenação. Com a morte de Cristo o sacerdócio levítico foi extinto e no ano 70 d.C. o Templo de Jerusalém foi destruído pelos romanos. 

Desde então Deus desejou atuar em cada indivíduo, transformando-o em um templo Seu, no qual pudesse ser exercido um sacerdócio santo e aceitável: 

“Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” I Coríntios 6:19. 

“Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.” I Pedro 2:5.

“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes dAquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.” I Pedro, 2:9.

Nunca esqueçamos que Deus é honrado com a pureza do coração com que amamos, com o tesouro com que enriquecemos os necessitados e com o esplendor do nosso temor e dedicação.

Fonte: verdadeemfoco.com.br